sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lembrar de coisas antigas é legal.

E os “antigos” lembrarem de coisas de suas épocas é mais legal ainda.

Ontem, no carro, naquele trânsito matinal dos infernos, me levando para a revista antes de irem pescar, meu pai e o nonno começaram a trocar ideias sobre os tempos antigos.

Segue abaixo a história mais hilária que já ouvi da boca do meu velho nonno, um avô típico conservadorzinho italiano.

(Só para situar vocês, estávamos parados em uma rua (Ibitirama, localizada no Largo da Vila Prudente) que costuma ser movimentada (mas que naquele momento não tinha movimento, pois TODOS os carros, ônibus e caminhões estavam parados), em São Paulo.)

Avistando um prédio antigo, o nonno começa...

- Ali, Marina, era um antigo Cinema. Frequentei bastante. Sempre que tinha um dinheirinho vinha assistir a um filme. Pegava o bonde e vinha. Agora o prédio tá abandonado, não tem nada.

- Nem virou Bingo ou Igreja como os outros cinemas antigos, né, papa?! – acrescentou meu pai.

Andando um pouco mais (lentamente, pois estávamos em um trânsito caótico) chegamos na Rua Capitão Pacheco Chaves.

- Atravessando a Paes de Barros tinha outro cinema, o Cine Vila (de Vila Prudente). Era inclinado (estilo stadium), dava para assistir melhor os filmes. Nesse eu vim bastante. – afirmou o nonno.

- Esse virou Igreja, ó Má. – novamente acrescentou meu pai apontando para a atual Igreja nãoseidasquantas.

- Mas uma história engraçada que me lembro, foi a primeira vez que fui a um Cinema. Aqui no Brasil. – contou meu nonninho imigrante da Itália. E continuou: Cheguei aqui em Abril de 1954 e, logo que comecei a trabalhar, falei para meus pais que queria gastar parte do dinheiro do meu primeiro salário no cinema. Sendo assim fui ao Cinema da Praça da Sé. Escolhi uma sessão qualquer lá, comprei amendoim doce e bala de goma. Logo que apagaram as luzes e começou a propaganda, senti alguém mexendo na minha perna e não paravam dos dois lados. Achei que eu ia ser roubado, então fui embora. Quando contei para o pessoal da empresa, adivinha: aquele era um cinema gay!

- HAHAHAHA! – todos riram.