sábado, 17 de julho de 2010

Vago



O meteorologista disse que a semana seria instável. Chuva, rajadas de vento, geada, mais chuva. E o frio, o único constante. As alterações climáticas coincidiram com minha última semana na cidade gelada. Enfim, fui embora. Despedi-me de algumas pessoas com pompa e circunstância. Chorei, enxuguei as lágrimas. Vi as lágrimas derramadas por mim. Para alguns dei tchau como se fosse o até amanhã de todo dia. Melhor assim. Odeio despedidas. Fico insegura, medrosa. Acho sempre mais doloroso para quem fica, mas dessa vez deixar para trás me doeu. Não foi dramático o luto, mas marcou a perda. Carrego, porém, a confiança de que o roteiro está correto. Algumas coisas vão mudar, mas ora, é a vida. Ora, era a hora.
Minha última semana foi de choro, alegria, alívio, dor, ciúme, mágoa, cura. Instável, como o clima. Mas o dia está limpo e claro. O tempo, quem diria, parece estar a meu favor.