domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu grande medo

PS, só que ao contrário: Prometi a mim mesma um post em janeiro com 60 fotos do meu ano de 2010 para provar pra todo mundo que meu 2010 tinha sido bom after all. Ia terminar de separar as fotos hoje (tenho umas 5.000 tiradas em umas 15 cidades diferentes), mas aí descobri que hoje é dia 9 e não dia 8. Como eu quero fazer uma seleção bem feita, adiei para 9 de fevereiro (ou seja, nunca). Para compensar a minha displicência, vou revelar um segredo dos que sempre guardei a sete chaves com um enigma que esconde a fechadura e um cão brabo e faminto de guarda.

Tenho medo de não ser amada. Pronto, é isso.
Cada um lida com o medo do seu jeito. O meu é mantendo todo mundo a uma distância segura. Escolho a prevenção porque sou inapta para a tarefa de remediar Não há nada mais doloroso do que se desentender com alguém que antes conhecia até a diferença de tonalidade dos seus sorrisos. Eu não consigo enfrentar brigas tolas, que pra mim surgem de duas fontes:
Uma é a ideia de que as brigas precisam acontecer para marcar um fim. Você espera o momento certo (que não existe nunca, geralmente é aquela palavra fora de lugar, coisa boba mesmo) para subir o tom, o outro aumenta ainda mais o volume e o resultado depende de cada um. No meu caso eu engulo todas as palavras que eu sei que possam magoar. Nem sempre sou atenciosa o suficiente para evitar a mágoa antes, mas quando eu me vejo em uma dessas discussões fujo para a colina mais próxima. Se eu queria ser do tipo de pessoa que joga gasolina e acende o fósforo? Não. Minha insônia me perseguiria para sempre.
Mais trágica ainda é a segunda fonte das brigas tolas: a mudança de perspectiva. A prova derradeira de que ali não há amor é o momento em que o outro deixa de esperar o melhor de você nas suas atitudes.(de novo, geralmente aquela palavra fora do lugar). O que antes seria catalogado como "inocência" ou "brincadeira" agora cai na categoria "ATAQUE" (eaquela scrita no nosso coração com letras vermelhas em arial black)  como se você nunca tivesse visto o "infrator" antes. A reação deve ser outra, mais séria, possivelmente envolvendo conceitos de "perdão" e "para sempre" (mais uma vez incluído sem qualquer cuidado). Quando um amor morre assim, tão tragicamente desfigurado de sua essência original, ele merece ser velado cuidadosamente, enterrado dignamente e lembrado eternamente. Sob a pena de você perder o respeito por todos os amores vindouros, ao acreditar na falsa sensação de que eles são negros por dentro e é apenas questão de tempo até que a máscara se desgaste.

Voltando ao meu caso, nesse tipo de briga tola também sempre levo a pior. Um dos meus princípios globais é sempre esperar o melhor de todas as pessoas. Isso já me custou algumas amizades e até a minha bolsa, quando eu fui assaltada num ônibus argentino pelo mesmo cara que estava me ensinando a chegar ao meu destino. Mas pensar na alternativa, que é desconfiar de gente que você nem conhece, achando que vão te passar a perna, pra mim não só é um jardim de rancor como também pode te levar a atacar antes para se defender, o que te transforma em uma pessoa indigna de confiança e olha só a insônia batendo na porta de novo.

O meu distanciamento não é provocado pela falta de amor. É resultado do excesso de amor. Não é um daqueles amores românticos cheios de babados, buquês, ciúmes e corações. Não é um molde no qual alguém precisa se encaixar, nem que seja à força. Amor pra mim é sinônimo de respeito e aceitação, e por isso pode ser menos intenso, mas não morre nunca. Daí que palavras ofensivas soam demasiado falsas e eu sou péssima mentirosa. Sou uma grande fracote.