terça-feira, 29 de março de 2011

Avenida Industrial, sem número

"Meu nome é Juliete Benon, nascido em Goiás, segundo homem de 6 filhos do seu Antônio Benon, homem rigído de criação difícil, onde filho homem trabalha cedo, estuda pouco e casa logo.Não suportava a vida de peão, plantação, vida pacata de fazenda. Não era pra mim não. Então, larguei tudo, para morar em São Paulo.


Morei na rua alguns dias, trabalhei como ajudante de cozinha no restaurante do centro, bem dizer morava na dispensa. Meus pertences: uma mala com pouquissímas roupas e retratos da mãe, família. Ninguém adivinha ou supõe essa vida, coisas acontecem, sem perceber ou quando menos se espera está nela. Conheci Maga nesse restaurante, ela me olhava desconfiada, de rabo de olho, se perguntando que diabos eu era, se homem se mulher. Sou homem, tenho traços de homem, mas também de mulher, isso confunde.


Ficamos amigos, ela me convidou para morar em sua casa, um privê na Liberdade, na verdade uma sala comercial, mais chique dizer assim. Adorava suas roupas, maquiagem, perfumes e badulaques, aprendi rápido os macete e dicas de Maga. Meu primeiro cliente era famoso na casa um dos mais antigos e exigentes. Gostava de rapazes de mão pesada, e isso eu tinha. Sua preferência era por língua, voluptuosa, dengosa, que chupa devagar/rápido e isso eu sabia perfeitamente. Aprendi desde cedo, a língua é meu instrumento de trabalho. Gozo rápido e gostoso.


Namorei homens e mulheres, talvez, seja a vantagem. Trabalhei algum tempo no privê, onde metade era meu metade dela; aluguei apartamento após trabalhar um ano, economizando. Mantenho contato, até hoje, mas é só amizade, nenhum trabalho. Ainda prefiro a rua, embora tenha problemas com idiotas que venham, zombar, jogar água, xingar, mesmo assim, ainda prefiro a rua, eu faço o horário e preço, é bem melhor.


O programa mais estranho, bom são tantos, não sei, uma vez um cliente, enquanto o masturbava, tinha crises de soluços. Outro cliente me pagou para apanhar, bati com gosto, sem dó, uma, duas, três vezes, claro depois transamos, mas ele estava todo machucado. Apanhou duas vezes, sim eu comi. Vários pedem coisas estranhas, às vezes para olhar, às vezes para tocar a namorada enquanto ele olha, sexo a três, quatro, sempre cobro a mais quando é assim, minha preferência é sempre por homens, não gosto de mulheres não, mas se rolar de pagar, eu vou. não faço acepção. Transaria com o casal e moça tímida de cabelos encaracolados, boca de chupar rola, mas que não cansa de fazer perguntas, come com o olhar. Tá me comendo, pensa que não vejo, se você é lésbica, é metade, porque sabe que embaixo desse traje, tem pênis, portanto querida, não deixa de ser macho, eu gosto disso. Não consigo lembrar de todos, mas o mais estranho mesmo com certeza vocês, pagam para conversar." (risadas)


Ficamos ali cerca de 1 hora e meia, numa madrugada de sábado, em torno de 04:30 ou 05:00, sei lá. O que nos levou lá, a curiosidade (minha) extrema de saber, como ou quê levou alguém a estar ali. Sempre soube da fama da avenida Industrial, por piadas entre amigos ou por comentários de amigas. Voltávamos de um samba, ali próximo, eu e um casal de amigos, amigos mesmo, não estavámos nas terceiras e quartas intenções, o tédio permeava-nos naquela madrugada.


Falamos de sexo o tempo todo, fiz enes perguntas, porque embora ela fosse super hiper mega simpática, estava sendo paga pelo casal e podíamos perguntar de tudo. O casal de amigos se divertia, ao ver a minha cara de sta-pura-envergonhada, riamos sem parar, os quatro. Acabei por mencionar do porquê não gosto de filme pornô, o quanto acho besta, a produção, o diálogo tosco e foco da câmera no órgão genital, nos ditos buracos. É algo tão automático que em nada me deixa excitada. Salva pelo menor número ao ouvir da boca de um profissional do sexo, que a ela também não.


O nome Juliete não é real, inventei para preservá-la, não sei se ainda trabalha ou não na Industrial. Juliete usava um vestido preto extremamente colocado ao corpo, de marcante tinha o buraco no umbigo (aliás que umbigo viu! ) um salto quase 15 de tão gigante, cabelos pretos na metade das costas, boca carnudinha e um perfume que não esqueço, J'adore. Perfume que eu fiz questão de perguntar qual a marca para comprar. Usava até um tempinho atrás.


Engraçado, não tenho fantasias tão extravagantes, talvez essa a mais estranha/esquisita, mas realizei, conversar com um travesti, super gostoso, saber como, quando, porquê estava ali, saber algumas experiências estranhas e falar sobre sexo, cito falar abundantemente sobre sexo e não fazer, resumo, no mínimo o máximo, mas estranho. Trocamos informações, como telefone, porque no final, já tínhamos criado uma certa "amizade" a solidão é evidente, amigos raros, para não dizer quase nenhum. O que existe entre colegas de calçada é cumplicidade para se proteger quanto a intenções de violência; porque quando se trata de clientes, a concorrência é grande. Por consideração a experiência, não mencionei, detalhes de outras experiências e clientes de Juliete.


Não rolou motel, se alguém deseja saber, ela entrou no carro e ficamos conversando, rindo, bebendo e surgiu o convite para ir a casa dela. Mas não aceitamos. Confesso, sexo é um assunto bem interessante, curioso, adoro saber experiências, transtornos, fracassos, situações engraçadas, inusitadas e por aí vai. Minha confissão é esta, a culpa é todinha dessa minha curiosidade terrível. (ela ainda me mata!). Mas foi bem interessante.