quinta-feira, 17 de março de 2011

Foi quando eu soube


Eu tinha, sei lá, uns 9, 10 anos. O telefone tocou, era para meu pai, ele estava no quarto, achei que era importante, abri a porta com tudo e sob saraivadas de gritos fechei de novo. Fiquei assustada, esperando a surra. Não vi quase nada nos três segundos de porta semiaberta. Meu pai e minha mãe na cama, meio embolados. Depois minha mãe disse que meu pai tinha ficado chateado, eu tinha aberto a porta e ele estava trocando de roupa. Fiquei meio ressabiada, mas prometi que sempre bateria na porta antes de entrar. Só um tempo mais tarde que soube o quão importante é uma fechadura para um casal, que meu pai não troca de roupa deitado na cama, que em alguns momentos ligações podem esperar, e que eu era uma legítima empata-foda.