segunda-feira, 14 de março de 2011

Nojo

O que ele mais tinha nojo era das camisinhas jogadas pelo chão. Caralho, custava colocar no lixo? Rico é foda, ta nem aí pra ninguém, não deve nem pensar que alguém vai limpar a sujeira depois que ele sair, mas se chegasse e visse alguma coisa suja ia ter um chilique. Duas vezes tinha encontrado uma camisinha atirada na parede, grudada. A porra feito cola. Pra que isso, me diz? Não é possível que numa manobra o negócio tenha voado do pau do sujeito direto pra parede...
O fato dele trabalhar de luva e máscara não ajudava muito a diminuir o nojo. As outras moças não reclamavam muito, só davam risada das coisas que encontravam às vezes – um vibrador esquecido, as calcinhas do tamanho de uma linha de costura, as cuecas do tamanho de uma linha de costura, KY. Só tinham nojo de sangue, ele é que sempre acabava tirando lençol sujo de sangue – coisa rápida – tira o lençol, joga no cesto, coloca lençol novo. Toalha, roupão, chinelo, sabonete, pente, camisinha, bala de hortelã, chocolate, óleo pra massagem. Rico é tudo cheio de frescura.
Quando começou a trabalhar, as moças acharam graça, nunca tinham visto homem faxineiro, ainda mais num motel. Acho que ficaram com vergonha, mas ele nunca fazia nenhuma gracinha com elas, homem casado que era - não fazia nem quatro anos. Uma semana trabalhando começou a ficar com nojo de sexo, daquele cheiro de sexo por todo lado, queria desinfetar cada quarto inteiro toda vez que tinha que limpar, mas não dava tempo. Tira o lençol, joga no cesto, coloca lençol novo. Queria tacar fogo naqueles lençóis, tacar fogo naqueles colchões, nas banheiras. Mas não dava tempo. Agora só fazia sexo depois que os dois tivessem tomado banho. E tomava banho de novo depois. Tentava pensar o menos possível em sexo, começou a sonhar com enfermeiras, transando com elas num hospital limpo, impecável, todo branco.
Com cheiro de lavanda.