terça-feira, 21 de junho de 2011

Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria

Cada um tem uma idéia de fim do mundo. Pra quem acredita na versão bíblica, é o cataclismo, fogo vindo do céu, gente morrendo, gente rezando, anjos voando, bestas, maremotos, a fúria divina contra a humanidade ingrata. Pra quem acredita na ciência, é um meteoro atingindo o planeta à la Armageddon e extinguindo mais uma vez a vida aqui. Pra quem não acredita, não acredita e pronto, essa idéia de que todo mundo vai morrer junto é mais o fim da picada do que o fim do mundo. E tem também as versões que envolvem abdução dos puros de coração por extraterrestres, transferência de almas para outras dimensões, etc, etc. O legal dessa história toda é que todo mundo imagina pelo menos uma vez na vida como seria seu último dia na Terra.

A gente vive hoje e, no outro dia, o mundo não acabou e a gente continua vivendo, com as mesmas preocupações, as mesmas tarefas, ou a mesma mania de arranjar tarefas novas, os mesmos hábitos. Só mudam as roupas. Com ou sem aviso, o mundo nunca acaba. Foi assim em 1999 e foi assim no mês passado, conforme saiu nos noticiários. A próxima chance que nosso planeta tem de explodir e provar que as profecias estavam certas é em 2012. Daqui a pouco (ou muito, tomara!), quando for verdade, ninguém vai acreditar. E ninguém vai poder usar suas drogas, fazer sexo com estranhos, se declarar pra quem sempre amou, sair nu na rua, pouco antes de morrer.

Pra uns o fim do mundo é o fim do namoro, a demissão, a morte de um parente, a nota baixa. Um fora pode ser o fim do mundo para os mais depressivos. E o que dizer dos suicidas? Quando chegam a cometer o seu ato final é porque seus mundos já acabaram há muito tempo. O que leva essas pessoas a desistir da vida é a ilusão de que não têm controle sobre ela, já estão mortas.

Então já que até o fim do mundo é uma questão de ponto de vista, que afinal de contas a morte é uma escolha, eu escolho não pensar nela, mas na vida e nos dias que eu ainda tenho, e viver de um em um, até o penúltimo. No último, que se dane tudo. A forma como vou morrer não é assunto meu. Quero chegar lá na hora do “agora danou-se” e sentir que não falta fazer nada, ou que fiz tudo que pude. Quero não precisar fazer uma loucura na última hora pra sentir que aproveitei a vida. Quero lembrar diariamente do fato de que o mundo pode REALMENTE acabar amanhã, o meu mundo. E viver o presente, que aliás, não deve ter esse nome por acaso. Mas se tiver mesmo que escolher, quero morrer assistindo Friends.