sábado, 3 de setembro de 2011

Eu, a Elaine e a manga

É estranha essa tal de amizade. Por que com um rola, com outro não? Falam tanto dos hormônios responsáveis pela aproximação de casais, cheiros, instintos, reprodução e blá. Mas e amizade, gente? Que hormônio faz com que eu ache o Zé legal e o Pedro chato?

Por muito tempo eu pensei que era afinidade cultural. Se a pessoa gosta das mesmas músicas que você, os mesmo filmes, ela será sua amiga. E lá ia eu perguntar para aquela pessoa que tinha acabado de conhecer: qual seu diretor favorito? Ah, quanta bobagem.

Hoje eu sei que me atraem pessoas com um certo tipo de humor, que gostam de conversa fiada e das coisas simples da vida, mas claro, não é uma ciência exata. Mas quem nunca se decepcionou com um amigo, seja por motivos sérios, ou uma bobagem, uma conta de bar, uma palavra atravessada? Se bem que eu sempre achei que nos pequenos descuidos é que as pessoas se revelam.

Fico pensando nessas coisas quando vejo a Elaine, que trabalha comigo. Trabalho com umas trinta pessoas, mas com ela é diferente, ela eu considero minha amiga, não minha colega. Foi desde o primeiro dia, desde o primeiro oi - porque tem amigo que a gente reconhece assim, logo de cara – e tem sido assim desde então.

Lembro do dia que ela veio toda alegre me dizer que tinha um presente no meu armário pra mim. Cheguei lá e dei de cara com uma manga. Uma manga? (Até parece aquela comunidade que tinha no Orkut). Não entendi muito bem e então ela me disse que tinha colhido uma baciada para trazer pro pessoal, mas que tinha guardado a maior pra mim. Eu sei que é piegas pra caramba, mas achei tão sincero aquilo, tão admirável.

A noite eu comi a manga e fiquei pensando entre um fiapo e outro: vai ver é esse o segredo da amizade, é mais do que uma companhia agradável, afinidades e gostos, vai ver uma verdadeira amizade é querer pro outro a fruta mais bonita.