quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Amar é dar o direito de redizer e refazer

Ando... ando... ando... saio da faculdade e vou caminhando a esmo. Sem rumo, sem destino. Assim, também parece estar meu coração, sem norte. O sol começa a cair. Creio que ele está mais triste do que eu, por isso prefere recolher-se. Mas antes me presenteia com um misto de cores amarelo, laranja, azul, cinza... Recordo das bandejas de tintas das aulas de desenhos. Cada cor simboliza uma possibilidade. No entanto, as cores não me falam nada. Ou melhor, elas se calam. Por quê? Pelo simples fato dessa caminhada está sendo feita sozinha. Não te tenho ao meu lado. O percurso que fazíamos juntos depois da aula... percurso recheado de abraços, afagos, risadas, beijos... Passei em frente daquele banquinho onde costumávamos sentar. Banco que foi testemunha, cúmplice de tantas juras e promessas de amor. Banco que chegou a ser confidente na sua ausência. Sim, sentei sozinho lá. Buscando naquele espaço físico o espaço afetivo que faltava aqui dentro. Espaço que tinha nome e sobrenome. Porém, as dores das brigas não me deixaram sentir a presença demarcada no banco ao meu lado. Hoje, depois da nossa briga de ontem à noite eu sentei no mesmo banco. Chorei as mesmas queixas. Mas havia um vazio maior. Uma duvidosa certeza se voltaria a te ter bem aqui. Nesse mesmo banco... do meu lado. As horas passam. O sol sem despedir-se já se foi. A noite chegou silenciosa para não incomodar. Gentil e educada como todas as noites. Um espaço é ocupado. Alguém senta no banco. Enxugo o rosto. Levanto a cabeça. E nesse milésimo de segundo uma cor de esperança e um sentimento de certeza invade o meu peito. Contudo, o cheiro de decepção chega com o vento. Olho do lado. Não é você. Meio sem jeito. Sem saber o que fazer, o que dizer saio andando rapidamente. Continuo caminhando até chegar a minha casa. E uma surpresa... Ao longe vejo alguém parado em minha porta. Ao longe reconheço você. Um misto de dor, alegria, raiva toma conta de mim. Aproximo sem saber o que dizer ou fazer. Você dá um sorriso amarelo, sem graça. E eu, no auge da minha raiva e razão, pergunto o que você faz ali depois da noite de ontem. Depois de tudo o que me disse, depois de tanta dor e solidão como ousa estar ali?! Falo com raiva. Tremo. Choro. Você escuta tudo. E no final diz: “Vim te pedir desculpas”. E eu alego que não sou palhaço onde você pinta e borda e depois volta para mim. Cheio de razão penso estar dando um ponto final nessa dor. E você, acertadamente diz: “Perdão, não quero perder o seu amor. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Errei. Sim, eu errei. Mas foram 25 anos da vida amando dessa forma. Minha. Errada. Estou aqui para aprender a amar com você”. Nesse momento, a muralha da China construída em meu coração cai com uma lágrima. E descubro que amar é mais do que perdoar ou ter razão. Amar é também dar a chance do outro redizer e refazer o próprio amor.