terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"... os santos e os poetas, talvez."

Não.

Naquele dia não.

Decidiu que ficaria ali deitado o tempo todo. Afinal de contas, quem notaria sua falta?!
Quem perceberia que ele não tinha ido?! Alguém se importaria?!

Ele próprio já não se importava mais.

Cansou de ter de bancar o forte, o que tinha todas as respostas. 

Aprendeu da maneira mais difícil que nunca soube de nada, na verdade.
Mas tudo bem. Agora, já não fazia mais diferença.
Ouvia as conversas lá na rua, o barulho das crianças brincando. Mas ele não levantaria dali naquele dia.

Nem por decreto. De maneira alguma. De jeito nenhum.

Resolveu se entregar ao direito que tinha de sofrer sozinho, já que aqueles que prometeram estar do seu lado para sempre já não estavam cumprindo essa promessa havia tempos.

Não.

Não sairia dali. 

Resolveu ficar com seus pensamentos, suas lembranças, suas dores e angústias. 
Não iria mais se importar. Ninguém se importava mesmo.

Mas por volta do meio-dia...

Olhou para uma folha de papel em branco, sobre a mesa. Um bilhete?! Uma nota?! Alguém se daria ao trabalho de ler?! Não... Nem isso...

Não valeria a pena.

Resolveu que não escreveria mais nada. Até dos dramas havia se cansado.

Ninguém ligava mesmo.
Ninguém percebeu que eram gritos de socorro o que ele registrava. 
E, se perceberam, não se preocuparam em ajudá-lo. 
"Ele que se dane. É adulto, e sabe se cuidar."
Quanta gente já afundou porque fizeram esse juízo delas?!

As pessoas esqueceram que somos crianças que crescemos, com nossos medos, angústias, terrores...
O fato de nos tornarmos adultos já é um motivo pro pânico... 
Não?! 

Não concorda, leitor?!

Desculpe...

Realmente.. Não são todos que pensam assim...

" - Será que os seres humanos percebem a vida enquanto a vivem?!

 - Os seres humanos não... Os santos e os poetas, talvez."