terça-feira, 6 de novembro de 2012

De gente grande.

Estou lendo Sangue de Tinta. Confesso que já faz algum tempo, aliás, que estou para terminá-lo. A escrita da Cornelia Funke é uma delicia, mas é um livro bem denso, longo e cheio de meandros da história. Quase um Senhor dos Anéis light. Mas esse nao é meu ponto. Acontece que recentemente me dei conta de que a história contada entre a trilogia de Funke (antes de SangueCoração de Tinta e, depois, Morte de Tinta) é um tomo sobre o amadurecimento. E é uma história para gente grande.

Acho que essa é a matriz das três grandes sacadas da autora: 1) ela executa uma premissa que é um sonho infantil: o encadernador Mo e a filha Meggie são capazes de, ao ler em voz alta, trazer personagens de dentro do livro para a realidade (e vice-versa); 2) ela apela para o público juvenil, que vai se identificar com as dores de Meggie, as desilusões cínicas de Dedo Empoeirado (um dos personagens mais fenomenalmente contruídos da fantasia contemporânea) e as paixões de Farid, garoto que Mo lê para fora de uma cópia de As Mil e Uma Noites; 3) o público adulto já passou por isso, e sabe que não foi fácil.

Sangue de Tinta triunfa em sua habilidade de ser interessante, em dimensões diferentes, à fatias bem diversas do público. E conta também com a escrita encantadora (mas mais fundamentalmente encantada – é visivel que a autora é apaixonada pelo que escreve) de Funke.

A adaptação cinematográfica de Coração, primeiro tomo da saga, não teve bilheteria suficiente para engrenar uma série. Mas vale a pena assistir para conferir Brendan Fraser como Mo (a autora escreveu o personagem baseado na aparência, no carisma e na voz do ator, e ele recebeu uma cópia assinada antes mesmo do lançamento) e pelas ótimas atuações de Paul Bettany (Dedo Empoeirado), Eliza Bennett (Meggie) e Andy Serkis (o vilão Capricórnio).