quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Incidente na laje

Divulgação.
na cama, caído, o corpo. calma, calma que vou explicar. solte o celular, sei que és x9, mas ele já tá enfaixado. de greve. então, foi quinta passada. estava esbelto e esbanjando. gastando a grana. sonho de valsa sabe? nas americanas. babo, baby. baby-beef. baby-sitter. baby-doll. bacana, o bacanal que tem aqui no bairro. só os chocólatras. chupo até ficar derretido o chocolate do negão. mas então, quase matei, a marteladas, marcelo. isso 9001 é o que importa. mas não matei. queria ter matado. sorte grande, teve o safado. na ação e reação só teve ação. ração. foi a razão. eu, cachorro sem sono. sempre no cio. sem dono. na primeira camada removida da cebola, chorei, com a faca na mão. o coração apanhando pra continuar na cena. eu, ali na pia, sem dá um pio pra ele não acordar depois da rápida alta que teve. ele, no sofá. na hora não hesito em umedecer a informação, fiquei com o cu na mão. disse na enfermaria que ele, já alto, caiu. do salto. bateu com tudo no batente. fiquei fechado ali, com a bunda na cadeira da sala de espera. é. tirei meu coro de crocodilo e chorei. senti. senti meu sebáceo sexo, sem monange, sem cheiro, de passivo, de passista de frevo sem sombrinha. meu, só foi falarem da foto. da traição. de paulo. calque, no seu cérebro, a cena: marcelo, lá na laje, lambendo uma lapa de um cacete cabeçudo e de capacete. melhor, um cacete de capacete e capacitado. até eu babo quando calco no meu cérebro a cena. mas a raiva me faz brochar. meu cu para, na hora, de piscar. chego ao quartel e baixo, por respeito e para ajudar na minha identificação, a luz do farol. baixo a bola. do meu buraco não sai nem luz. raiva é raiva. brava. dá vontade de cortar. o pau de paulo. mesmo sendo quase do comprimento de uma régua escolar. peeeerdiçãooo!, estilo chefe wellington, amigo de panela cheia do curso de culinária que fizemos no senai. o pau de paulo, pelo o que vi no vídeo nos poucos segundos que marcelo deixou sair fora, dá vontade de decepar. torar. logo eu que cortei tanto salsichão. dá gana de tomar. pra mim. deixar dura pra sempre. com o sangue preso, circulando no centro. sustentando um vibrador de carne e natural. galiana, a vizinha de baixo, trepou numa árvore como quem busca uma manga, e, com o samsung num respeitável zoom de alcance e definição, gravou. tudo. ele, tão novo e tão distraído, com a boca na gabiroba do menino. de 18 anos. novinho, como ele. eu, sem muita instrução, só com um diploma na mão, cinquentão, de cacete médio, rexona vencido, com a bunda caindo pelas abas da cueca, de bata de cozinheiro sem trampo a andar feliz pela casa preparando caçarolas para ninguém degustar, o joelho travado, da época que fervia no frevo. marcelo, meu macho ousadamente usado, tão novinho também e já decidido a deixar a vida como ela é e não como eu gostaria que fosse. agora só resta partir a cenoura. dividir em quantidades e chamar o coelho.