terça-feira, 4 de junho de 2013

ODE (io!) A MAQUIAGEM

Que não sejam teus olhos ocultos pelo peso de tinturas,
Nem tuas faces ornadas como a de Colombina;
Não seja teu corpo oculto em formas alheias,
Não seja teu ser silenciado pela aparência das coisas.

Enquanto estiveres com tuas amigas, divirta-se com a sua paleta;
Que tuas unhas, lábios e faces recebam o arco-íris entre risos
E experimentes aquilo que é desconhecido e contumaz.
Contudo, ao meu encontrares, 
Espero ver teus olhos brilhando de desejo;
não de pintura, 
não de tintura,
não de disfarce e farsa.

Espero colorir teus lábios de vermelho 
Com beijos sôfregos e intensos;
E que as cores anteriores não coloram os meus, 
como prova desnecessária da intensidade do encontro.

Que teu corpo avermelhe-se com minhas carícias, 
E o rubor te suba às faces,
Não lá esteja previamente, disfarçando tua beleza e convencendo os incautos.

Que eu seja capaz de ver o que acontece, 
Acompanhar o acender do desejo,
Para além das máscaras e maquiagens que a tua paleta oferece.
Porque, por mais belo que possa parecer,
Maquiagem nenhuma será capaz de me oferecer...
Nem o desejo, nem o prazer.