segunda-feira, 3 de junho de 2013

Antes fosse

Antes fosse uma grande e pulsante vagina. Apenas isso. Bastaria sexo. Bastaria um pau. Algumas coisas a mais, mas bastaria. Adeus, tabus.
Antes fosse uma cabeça. Dona das suas razões. Perdida em seus pensamentos. Tudo muito claro, tudo muito exato. Medindo cada passo, cada palavra.
Antes fosse só um coração. Esse sim, livre, apaixonado. Desses que choram com qualquer canção no rádio.  Desses que compõem.
Acontece que calhou de ser tudo isso misturado. Um empurrando o outro, tolhendo,  confundindo, ligando, desligando, chamando, afastando. Se ao menos houvesse um botão, se ao menos pudesse escolher: vez da razão, vez da paixão, mas não.