domingo, 1 de junho de 2014

em tempos de facebook, quem dá o cartão?

em tempos de facebook, quem dá o cartão? digo, quem, num primeiro contato, entrega o old-fashioned cartão de visitas em uma ocasião não comercial ou que não tenha interesses profissionais? recentemente participei de um evento empresarial e, quando eu entrava em algum stand, vinha um recepcionista com uma maquininha de leitura de código de barras e jogava aquele laser na minha credencial. minutos depois chegava uma mensagem no meu email agradecendo minha visita e solicitando permissão para trocar contatos. quer dizer, nem mesmo nos eventos de negócios, você precisa ter um cartão.

para além das questões profissionais, havia também - talvez até uma geração anterior à minha -, as mensagens nos guardanapos (pelo menos é o que vejo em filmes). após o flerte, a pessoa escrevia qualquer coisa no papel de limpar a boca, como o telefone, e pedia ao garçon para entregar à outra pessoa. 

esta abordagem é uma das mais fofas de que tenho conhecimento e aconteceu comigo dia desses, para minha total surpresa. não era um guardanapo, mas um cartão - lindo, por sinal - entregue pelo garçon. "com licença, senhor, um senhor pediu para eu entregar isso." como já havia rolado pelo menos dois mini-flertes em tal ocasião, fiquei na dúvida de quem poderia ser, mas quando questionei o garçon, ele me disse que "ah, o senhor que entregou já foi embora". 

na época eu namorava, mas na primeira oportunidade fiz o que todo mundo faz quando quer saber mais sobre alguém: google. minha curiosidade apenas aumentou, uma vez que - inocente que às vezes sou, não entendi o motivo da entrega do cartão. seria algo profissional? comentei com meu parceiro da época, que demonstrou surpresa, pois conhecia a pessoa do cartão. depois de uma ofensa puramente ciumenta disfarçada de conselho, ele perguntou o que eu ia fazer e eu disse que ia escrever ou ligar para a pessoa do cartão. não o fiz no mesmo dia, mas no dia seguinte escrevi. não tive nenhuma resposta nos seis meses seguintes.

o mundo é cíclico, as pessoas que precisam ou querem se encontrar acabam se encontrando e foi o que aconteceu depois de todo este tempo. nos encontramos por acaso, não conversamos por um motivo muito besta, mas voltei a escrever porque desta vez era questão de honra. recebo um cartão, escrevo e não tenho resposta? como assim? e em seguida, minutos depois recebi a resposta. 

o que se passou/se passa depois dessa história é muito peculiar e particular. o que me deixa realmente muito feliz é saber que o tempo se encarrega de muita coisa e aquela história boba de que tudo acontece no seu tempo, parece ser verdade. por isso acho que ainda vale a pena fazer o que dá vontade, seguir o desejo e seguir em frente, sempre, mesmo que o que dá vontade seja algo que pareça, à primeira vista, ridículo, como entregar um cartão por meio do garçon...