segunda-feira, 18 de agosto de 2014

No Meu País...

 No meu país, a crise de identidade, o fracasso social, político e educacional faz de nós uma nação de cidadãos revoltados, cansados, alienados e sem perspectiva de melhora.
 No meu país a classe privilegiada se encontra muito bem acomodada cheia de conservadorismo e avessa a mudanças, explorando a classe desabastada que crê fielmente em sua função no mais fiel estilo “Alexei Stakhanov”.
 No meu país quem não tem dinheiro está á mercê da própria sorte e é submetido diariamente ao desrespeito que nós lhe oferecemos, queremos inconscientemente abafa-los, chutá-los, tentando a todo custo tapar os olhos a essa desgraça que nos assola noite e dia desde 1500. E isso, porque julgamos de maneira insensata esses reféns que não se adéquam a sociedade feita para os ricos, porque, claro, são pobres. O Brasil foi idealizado, projetado para uma elite, aristocrata, branca, europeia e monopolizadora, onde aparentemente nunca existiu um regime escravocrata.
 No meu país permite-se a venda de sapatos, celulares e roupas a preços absurdos em lugares onde há pessoas passando fome, sem teto para morar, sem condições de sobrevivência.  E como resposta a isto a burguesia coloca a culpa no esforço individual. Quem é capaz de me responder o faça. Por que uma criança que nasce numa carente condição, num barraco de favela, sem escolas na proximidade, sem saneamento básico, vendo os familiares saindo 05H00hrs da manhã e voltando 10H00 da noite do trabalho, quase escravizados para no fim do mês faltar dinheiro pra comida... Onde está o estímulo, a perspectiva e coragem de crescimento dessa criança, onde ela buscará isso? Na TV? Certamente não. E não adianta esperar pelo governo, pois ele não se responsabilizará.
 No meu país quando há greves a classe trabalhadora se divide e se volta contra si mesma, invés de se unir e lutar pelo direito de um trabalho mais digno. E enquanto isso o governo assiste tudo de camarote com uma segurança que devia nos proteger e não nos atacar e reprimir.
 No meu país o preto, a empregada, o índio, a mulher, o gay, o pobre, o nordestino não se sentem representados na mídia. Como um país de maioria pobre e negro é representado por brancos e ricos? Não nos perguntamos como isso é prejudicial a nossa sociedade?
 O meu país é lindo naturalmente, é onde ouço as mais lindas canções, é aqui que encontro o povo mais sorridente e amável. Ficamos com o resto daquilo que nos foi roubado e mesmo assim não desisto de ser brasileira, porque somos um povo sem pernas, mas que ainda caminha!

https://www.youtube.com/watch?v=DkFJE8ZdeG8

Fabiana LeMasque