sexta-feira, 20 de março de 2015

Jacaré nada de costas ou usa boi de piranha?

O PMDB nasceu do antigo MDB, que resumidamente era o único partido autorizado a fazer oposição durante a ditadura militar. Nenhum governante gosta da oposição, mas se os militares torturavam e assassinavam alguns opositores, não é difícil deduzir que a oposição do MDB era bem restrita para que se mantivesse, literal e metaforicamente, viva.

Com o fim da ditadura o já PMDB foi colocado no poder pelos militares. Uma escolha ruim com uma alternativa péssima, já que a outra opção era o PDS de Paulo Maluf. Tancredo, avô de Aécio, morreu e a presidência caiu no colo do vice, José Sarney, que fez um governo tão desastroso quanto Tancredo teria feito.

Ao deixar o executivo Sarney, até então o principal nome do PMDB, apoiou Collor, apoiou Itamar, apoiou Fernando Henrique – duas vezes –, apoiou Lula – duas vezes – e apoia Dilma. Agora diz que está se aposentando. É bem provável que nem ele se aguente mais. Porém essa tribo ainda tem muitos caciques.

Com presença garantida entre os partidos que mais tiveram candidatos barrados pela lei da ficha limpa, juntamente com o PSDB – partido formado por seus dissidentes –, o PMDB só perde para o DEM no número de políticos cassados por corrupção. Ainda assim, há 30 anos marcando presença no executivo é evidente que se o próximo presidente, a ser eleito em 2018, não for do PMDB, terá apoio do partido.

Dedutível que, com um espectro de atuação tão amplo e com bastidores tão enlameados, ninguém faz aliança com o PMDB porque gosta, ou porque tem afinidade ideológica, ou porque pensa no bem maior da democracia. Fizeram aliança (Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma) porque precisaram. Com o presidencialismo de coalizão, sem o PMDB não se governa.

Na teoria a política é muito mais fácil e simples. Quem quer governar bem escolhe os melhores aliados, que contribuirão para um governo satisfatório, cujos benefícios agradem a população – e ponto final. Na prática o PMDB detém o maior número de senadores e segundo maior número de deputados, isso lhe garante além da vice-presidência, que já não é pouco, a presidência da câmara e do senado.

Da fossa séptica que se formou no congresso, vale destacar a tríade Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Formam, nesta ordem, a linha de sucessão presidencial, caso Dilma seja impedida de governar. Todos citados nominalmente no escândalo da Petrobras. Todos raposas velhas, dispostos a usar todo o capital político que têm para salvar o próprio pescoço e, quem sabe, virar a mesa.

O ‘salve-se quem puder’ que se instalou em Brasília não se restringe aos três. Políticos e empresários envolvidos no escândalo vigente fazem o que podem para salvar o que conseguirem, sendo que alguns terão sorte se salvarem a própria liberdade enquanto outros contam com capital social e político fortes o suficiente para serem esquecidos pela mídia e consequentemente pela população.

Enquanto batem panelas onde se cozinha os bois de piranha, o restante do rebanho passa tranquilo, formando uma base aliada cada vez mais fiel à oposição para barrar qualquer atitude racional que se possa dar para a atual crise política. Em time que está há mais de trinta anos ganhando, definitivamente não se mexe.