segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Enquanto escrevo e o sol brilha na janela:
leopardos caçam, 
carros correm de um lado a outro
pessoas choram pelas mais diversas razões
se desesperam 
Outras sorriem
outras se enfadam com a segunda-feira

Muitas se arrependem de erros
Muitos se desesperam e olham os espelhos e ali: fisgados
estrelas queimam elementos

tanques e canhões pintam o céu com pólvora e um zunido 
Enquanto escrevo, permaneço, 
Em minha permanência esqueço
Esqueço das presenças que fui
Permaneço no esquecimento 
Do que fui e não sou mais e me vejo como uma sucessão 
Meço o tempo e vejo que a presença é a ausência

E sendo ausência quem pode dizer que fui

Uma vida, uma sucessão de acontecimentos. 

Enquanto escrevo, a janela brilha no sol
Meu irmão ri, 
a floresta tomba, mães choram, pessoas se matam. 
E tudo isso é mistério, passado, futuro e presente de alguém

E eu não estou lá. Eu não sei o que é estar lá.
Estar lá e ser esse alguém que mata e que morre. Posso ser esse alguém amanhã
Posso também não ser. posso ser outra coisa


E essa outra coisa não está aqui agora, pode nunca estar
Mas ao não estar, ao ser ausência e ser como a voz oculta de uma presença o que pode se dizer q exista?

Quem pode dizer que de fato existe?