sexta-feira, 29 de julho de 2016

medalha para subdesenvolvido ou pódio de servo

Ligo a TV.
Vejo a propaganda que mais chama atenção. Segue olho e controle naquela chamada quase que constante de todos os canais da TV.
A chamada é para admirar, torcer e mais importante e essencial assistir aos jogos das Olimpíadas.
Aliado a estas chamadas e propagandas contínuas, os canais fazem questão de mostrar uns programas que pretendem atestar o quanto o esporte é essencial na educação, saúde e vida dos brasileiros.
Resta uma respiração profunda.
Quase parando o ar no cérebro. Respiração cheia de sedentarismo com certo enfado ou preguiça de engolir pela goela abaixo mais esta neste ano.
Nestas propagandas e programas nenhuma palavra ou poucos comentários restam para as constatações do óbvio, os pouquíssimos ou zero incentivo para os brasileiros serem como os demais países, onde os cidadãos são esportistas, atléticos e fãs incondicionais de quase todas as modalidades de esportes.
Não sai respiração sai um: que po$$a mano!
Vem outro desabafo: é um c$r$lho viu!
Desculpe, minha educação é precária.
E qual a parte destas estórias eu perdi?
Como disse noutro espaço gosto de esportes.
Principalmente quando estão nas escolas e periferias ou conforme o politicamente correto exige mencionar, gosto de esportes nas comunidades em vulnerabilidade social ou podemos dizer comunidades em nenhum ou quase nada de desenvolvimento.
Não tardará para o FMI alterar o termo em vulnerabilidade social para em desenvolvimento.
Daí tanto vem na cabeça.
Os discursos de urbanistas, geógrafos, historiadores, arquitetos, engenheiros, economistas, professores com total liberdade de ensinar e jornalistas fincados no esporte. E desde sempre aquela gana de que o esporte o investimento em urbanização não fosse vandalizado ou comercializado como uma mercadoria. Afinal eles são contrários ao vandalismo neoliberal, porque o mundo não se restringe a pessoas neutras que defendem o anarquismo entre os comércios e a livre atuação neoliberal.
E pensar nestes discursos é constatar que as Olimpíadas ou Copa servem apenas de vitrine para propagandas e venda de ativos, mercadorias ou trata-se somente de evento para comprovar através de medalhas o quanto alguns países (mediante exploração dos demais) investiram no bem-estar social, na educação e na saúde do seu povo.
Então promover uma “festa” dos esportes quando o próprio esporte não é valorizado no país pode ser chamado de que?
Tolice? Ingenuidade? Submissão? Exploração? Farsa? Golpismo? ETC.
Escolha. Palavras é o que não faltam.
Dá até dor de cabeça. Uma ânsia.
Cabe me perguntar se experimentamos recusar sediar a Copa ou Olimpíadas?
Para desespero e desamparo das esperanças vem aquele sonoro NÃO.
Lembro-me de poucos gatos pingados fazerem este papel árduo e insano de se posicionar contra, sob os olhares cheios de ódios de muitos.
Na Copa o comerciante muito se endividou para investir no que acreditavam ser justamente uma fase de oportunidades.
Acreditaram nesta falácia justamente devido a estas propagandas e programas da TV que incentivaram o investimento, mas sem qualquer esclarecimento dos riscos.
Mas o que esperar de gestores de PPPs (Parcerias Públicas Privadas) ou políticos e juízes donos da justiça e da última palavra quando está em curso a indução e cerceamento da crítica para pensamento único e neutro na educação.
O que esperar?
Há anos os abismos só reforçam o quanto os brasileiros pouco ou nada conhecem da própria história enquanto nação ou povo.
Aceitar educar-se através das TVs é uma prova disso.
Outra vez, vamos assistir os exploradores acumularem o que já tem demais: riquezas.
 Daquela forma deprimente e decadente vamos sentar e assistir o evento que como dizem é único não acontece todo ano neste país.
Novamente vamos sentar no sofá ou deitar na cama para aplaudir as vitrines, o show que será ver o desenvolvimento de outros países.
 Vamos ver até acabar e restar a sensação ou dizeres de queremos outra copa, outra Olimpíadas porque é tão legal ter as ruas lotadas de gente diferenciada falando tantas línguas.
Mais uma vez sentamos para assistir o ganho de poucos sobre muitos.
Para logo mais, assistirmos a derrubada dos poucos direitos sociais conquistados, com atualização da CLT ou terceirização entrarem em vigor, desmonte já consolidado da justiça do trabalho e demais setores de auxilio ao trabalhador, SUS para  ajuste de valores nada sociais para ter acesso a saúde, SUAS acabou assistencialismo chega de bancar vagabundos e privatização de todos recursos enquanto os países desenvolvidos firmam acordos de livre transação do comércio apenas entre eles.
Assistimos.
Assistimos o golpe acontecer.
Para  ver que o alvo sempre foi os trabalhadores, a CLT que custa tão caro aos empresários e os direitos sociais que se tornaram inviáveis para o Estado/País que deseja apenas servir e ser explorado.
Assistimos o golpe ser constantemente desmascarado para comprovar: é mesmo um golpe.
O golpe é e sempre será em nós. 


SÓ A LUTA MUDA A VIDA
DOMINGO 31/07/2016
Local: Largo da Batata às 14h.
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FORA TEMER

FORA GOLPISTAS