segunda-feira, 11 de julho de 2016

Rebelião das Palavras

Escrevo, senão não durmo. Sempre no mesmo horário, quando o corpo pede repouso e a mente lógica pede trégua de raciocinar. 

Basta a cabeça tocar o travesseiro e logo elas vem. Como numa tormenta de ideias sobre mil assuntos diferentes, elas invadem e se batem dentro do crânio. Ecoam pelos ouvidos como num barulho ensurdecedor. 

Como pode? Fazer barulho de dentro pra fora, sem sequer emitir um som?

Reviro na cama de olhos aberto. Viro de um lado pro outro e nada. Estou com sono, mas o barulho me vence. Resisto mais um pouco a fim de querer paz. A fim de que elas desistam, mas não desistem.

Eu, fraco me sento. Coloco-me diante do papel e me abro com ele como quem abre uma porteira pra uma rebelião que brada gritos de vitória. Correm por um dos meus braços e escoam em liberdade em busca de um sentido.

Lá ficam. Estática mas ordenadas e com semblante de missão cumprida. Estão fora. Ainda que presas em um outro mundo, já estão fora de mim.

Talvez agora elas gritarão em outros ouvidos, encherão de lágrimas de tristeza ou alegria outros olhos que não os meus.