quarta-feira, 3 de maio de 2017

Equilibrista

Queria poder controlar os diálogos que se perdem enquanto meu café esfria, mas, neste breve período, ouço uma melodia que me transporta para outra dimensão. Vou parar lá longe, nos limites do meu horizonte, onde brinco de equilibrista na linha tênue que separa razão e emoção, penso demais, sinto demais.



 Vejo um fash condensando um instante logo ali na frente. O que realmente acontecia ali? Quais emoções, aromas e texturas não foram eternizadas na imagem? O que se leva da vida são histórias e eu até querida condensar essa história, mas com prazo de validade, pois, hoje, tudo o que soa como eterno parece estranhamente fútil, coisa de gente que tem preguiça, preguiça do novo, preguiça de viver...

Eu quero muitos instantes infinitos, sem noção do tempo espaço, em histórias mescladas, agregando o lado bom de tudo que cruza meu caminho. Eu quero me deslumbrar com cores que máquina nenhuma conseguirá reproduzir, quero o volume das gargalhadas no momento do flash, quero o aroma, as texturas e os sabores. Entre o café, a melodia, o flash, os instantes infinitos e a corda bamba, sigo despejando esse fragmento de cotidiano no papel. O tempo passa, o café esfria e eu sigo me equilibrando na corda bamba, mesclando meus passos na dicotomia entre o pensar e sentir.