segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dia do amigo

Ainda me lembro do meu primeiro dia das crianças. Acho que eu tinha uns seis, sete anos. De um dia para o outro começaram anunciar, nos intervalos dos programas infantis, uma chamada que dizia “ faltam 10 dia das crianças”, “faltam 9 dias para o dia das crianças”, alternando com imagens de brinquedos. Existia um dia das crianças então? Como ninguém havia me dito antes? Era incrível!

Eu acompanho as crianças hoje em dia e os pais dão brinquedos qualquer dia, em um simples passeio ao shopping, mas no meu tempo não, amigo. No meu tempo se ganhava presente no dia do aniversário e no natal. Só. Inventar outro dia para se ganhar presentes era a coisa mais legal que podia acontecer.

Na escola ninguém falava de outra coisa. E então? O que você vai pedir pros seus pais? Eu ganhei um Murphy, aquele gorila que fazia um barulho quando apertava a barriga, mas foi com muito custo, porque os pais em geral não gostaram muito da idéia de ter mais um dia pra gastar. Lembro de uma cena engraçada, de um amigo que correu até o pai e perguntou, “Pai, o que você vai me dar de dia das crianças?”, o pai dele meio sem entender aquilo, vira e diz: “Dia das crianças? Que porra é essa?”

Passado muitos anos me deparo com o comercial do tal dia do amigo, dia 20 de julho. Eu não me lembro de existir isso ano passado. Logo que vi, achei que não pegaria, mas soube de gente que cortou relações porque o outro não podia sair pra comemorar. Mas como assim? Isso agora vai existir mesmo? Vou ter que mandar cartões? Sair pra beber? Lembrar de pessoas que não me ligam há anos? Ah, não. Estou com o pai do meu amigo. Dia do amigo? Que porra é essa?