sexta-feira, 4 de setembro de 2009

nada.

hoje chove.
ela sempre se sentia estrangeira em dias de sol. ela, que era cinzenta, medrosa, cabisbaixa e gorda, ainda acreditava nas coisas da tv e pensava poder mudar, abandonar essa vergonha e ir ser outra pessoa, assim, como quem se muda de casa. queria uma gotinha de esplendor, um tiquinho de beleza, uma surpresa. mas o que fazia era sempre estar no escuro, em lugar vazio, debaixo do edredon, sem. ela, que rabiscava papéis, que não tinha objetivos, que se distraía com tudo, que não se reconhecia em nada nem controlava os próprios pensamentos, desprezava pessoas assim como ela. ela não era o amor de ninguém e apesar de só saber dizer dela, ela não sabia nada de si.
ela olhava pela janela. a chuva.