sábado, 3 de outubro de 2009

#RIO2016

Eu tinha planejado escrever outra coisa para o mês de outubro, mas diante da comoção nacional com as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, não me resta escrever sobre outro assunto.
Como já disse por ai, por mim poderia ser KABUL2016, e a verdade é que eu nem sabia que rolaria uma decisão (eleição? votação?) por esses dias. Quando as pessoas começaram a falar em RIO2016, precisei pesquisar para saber se era sobre uma possível Copa do Mundo ou sei lá.
Não sou do contra, não sou pessimista (talvez um pouquinho) e nem estou preocupada com a verba que será gasta na vila olímpica, devo confessar. O fato é que Olimpíada me lembra o que eu sempre quero esquecer: a minha total inaptidão para os esportes.
Quando eu tinha uns sete anos, eu já tinha tamanho de uma criança de dez. Sempre fui a mais alta da sala, da rua, dos primos, e óbvio que isso alimentava o sonho da família. Jogadora de vôlei? Nadadora? E começa ai uma longa seqüência de barrigadas, boladas na cabeça, bronca de treinador, piadas e muitos traumas para um dia derramar em um divã.
Com o tempo eu fui me negando todo e qualquer contato com o tema. Chego a ler a folha de agricultura no jornal, mas não leio a de esportes. Agora vem essa tal Olimpíada e esfrega na minha cara esse mundo que eu quero esquecer.
E não adianta querer fugir. Se em uma Olimpíada normal e distante, eles já interrompem a sua sessão da tarde para falar de saltos, de recordes, seu jornal traz um caderno especial, as revistas suas retrospectivas, entrevistas com atletas, imagina tudo isso logo ali, no Rio.
Até lá acho que ainda não terão inventado o congelamento temporário de corpos, a viagem para Plutão, e o coma induzido, por enquanto, dizem que faz mal, então fazer o que? O jeito é me juntar aos demais, engolir as mágoas, as pipocas e torcer. Vai, Brasil! Ainda que nem tão sincero assim.