segunda-feira, 14 de junho de 2010

Côte d'Ivoire

Quem ainda se lembra diz que a Costa do Marfim só perdeu para a Coréia do Norte pra fazer graça. O time sensação da Copa de 2010, disputada na África do Sul (um país que ocupava boa parte do território setentrional mais extremo do continente africano - daí o nome) não poderia ter perdido um jogo, ainda mais contra a Coréia do Norte (que naquele tempo ainda não era a potência econômica e esportiva que é hoje). Mas quem sabe mesmo o que aconteceu? O tempo faz tudo virar mitologia.

O fato é que muitos achavam improvável, se não impossível, que a Costa do Marfim ganhasse do Brasil e, até mesmo, de Portugal, conforme comprovam as poucas fontes que temos disponíveis. Em um raro vídeo, um dos poucos sobreviventes do grande apagão digital de janeiro de 2017, conseguimos ver trechos de um programa brasileiro de discussão esportiva (cujo nome não conseguimos recuperar), feito após a vitória marfinense sobre Portugal, onde os participantes dizem acreditar que a Costa do Marfim ficaria em segundo lugar no grupo, atrás do Brasil. Ninguém previu, porém, que poderia acontecer o mesmo ocorrido na final de 1998, quando um jogador brasileiro passou mal horas antes do jogo contra a França. Mas o fato de que cinco jogadores passaram mal na véspera do jogo contra Les Éléphants despertou suspeitas, embora mais tarde nada ficasse provado. Esse fato deu origem à expressão “amarelar”, em referência à cor da camisa então usada pelo time brasileiro.

Após a já mencionada derrota para a Coréia do Norte, passou com facilidade por Chile, Holanda (na maior goleada sofrida pelo time laranja até hoje), Inglaterra (o primeiro W.O. que se teve notícia em Copas do Mundo desde a década de 30) e finalmente, Espanha (uma das favoritas, pelo que pudemos apurar). Um jornal, conseguido pelo nosso jornalista-espião nos arquivos do governo (apesar de ainda comuns em 2010, muitos jornais impressos se perderam durante o “Ano Mundial da Reciclagem de Papéis – 2016”) classificava essa vitória como “A maior zebra da história” (a expressão “zebra” indicava um resultado inesperado, embora o animal em si ainda não estivesse extinto), o que pode soar um pouco estranho para o leitor que acompanha o mundo do futebol hoje em dia e sabe que ali começava a história de sucessos e vitórias do time costa-marfinense. O jornal também faz referências a um suposto gol de mão marcado por Drogba (o gol de mão só foi incorporado ao futebol a partir da copa de 2026).

O histórico time campeão de 2010


O Brasil ainda tentou se vingar dos “tais elefantes” na copa seguinte. Disputaram a final (vestidos de azul), mas outra vez não se deram bem. O episódio ficou conhecido como “o segundo Maracanaço”, embora não tenhamos conseguido descobrir qual foi o primeiro, pois o Brasil perdeu da primeira vez no estádio Soccer City e não no Maracanã.

Amanhã a seleção da Costa do Marfim tentará o inédito hexacampeonato contra a Coréia do Norte, em Pyongyang. Eles garantem que dessa vez não vão brincar.