terça-feira, 20 de julho de 2010

Sou um pai jovem

O caso é que minha filha também está se tornando uma jovem... é aí que começam meus problemas.

A cada dia que passa, percebo minha inocente e infante filha dar lugar a uma insolente e infame adolescente. E agora?

As transformações impostas pelo estrógeno de minha pequena parecem fazer efeito também em mim... a cada dia que ela se torna mais independente e rebelde, eu me torno mais conservador e tirano. Um insensível quanto aos seus gostos musicais, opressor quanto ao seu vocabulário e desconfiado quanto aos seus amigos. Me tornei um daqueles pais de amigos que tememos pelo mal humor constante e pela disposição em dizer sempre não.

Mas espera aí...eu fazendo isso? Porra, quem me conhece pode não reconhecer o parágrafo acima como uma descrição da minha pessoa. Sim... estou me tornando um hipócrita e tudo indica que pagarei com a mesma moeda tudo o que fiz minha pobre mãezinha sofrer, já que minha filha está cada vez mais parecida com a versão 1.7 de mim mesmo.

E o pior de tudo isso é que ainda tenho 30 anos – ou seja – eu ainda saio, fico bêbado, toco numa banda, faço merdas que não quero que minha filha faça... puts.

Na internet então, cada dia quero menos ser amigo da minha filha no Orkut. Tenho medo do que posso encontrar em seus scraps qualquer dia desses. Um dia me deparei com a frase no MSN: “Lino e Francis – mais que amigos”... enfurecido tive que me segurar para não bombardeá-la com inquéritos e castigos descabidos, não... tenho que agir com astúcia. Preciso ganhar sua confiança. Quero me tornar seu confidente, o “paisão” pra toda obra. Preciso suportar as pressões externas, o ciúmes e o instinto protetor para que ela traga a vítim...quero dizer, o seu namoradinho para nosso círculo familiar, assim eu poderei esfaq... quero dizer, apertar sua mão e dizer: “meu genro querido”.

Estou assistindo bastante “Dexter” para aprender a ser um bom anfitrião.