quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Chandler

Eu sempre tive muitas dúvidas do que queria fazer, qual profissão seguiria, como faria para ter o ganha pão.
O meu pai fez coro para que eu fosse ferramenteiro, a mais nobre função do chão de fábrica, bem que tentei. Entretanto, graças ao uso de uma inofensiva bermuda, não fiz a prova do Senai da Grob. Passei no vestibulinho da ETE e escolhi o curso que tinha informática no nome. Naquela época queria ser engenheiro, como o clichê dos meninos, queria ser automobilístico. Enjoei dos números e quando chegou a hora de fazer uma faculdade, quis glamour de terno e gravata. Contudo, a barriga no balcão é tão enfadonha e injusta.
Sempre tive dificuldades em explicar para o que faço. Os meus amigos não entendem que chega a mais de 3 anos que atendo um cliente e que entrego é um sistema. A maioria deles acredita no plug in play e que uma vez instalado, já era, pode ir embora.
Algumas das minhas mulheres não acreditavam quando afirmava que naquela madrugada eu ficaria em frente ao computador, tentando colocar algo em funcionamento e que sempre eu não tinha saco de explicar. Na cabeça delas, eu tinha outra e que faria sexo selvagem naquele período.
Pois bem, continuo nessa vida, com uma corajosa que duvidará de mim e mesmo assim quer se casar comigo. Embora ontem, sofreu com a possibilidade que eu tenha que passar alguns dias e algumas noites em Araxá, que me fez prometer que cumprirei todos os meus deveres conjugais.