segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sobre ser 8 ou 80, regida pelas leis de Murphy

Minha existência se resume a viver repetidamente duas situações: ser demais ou ser insuficiente. Nunca, jamais, sou em quantidade adequada.

Sinto-me muito urbana para viver na minha cidade de poucos mil habitantes e ao mesmo tempo caipira demais para habitar uma metrópole. Sou excessivamente alta para usar salto e demasiadamente vaidosa para me conformar com rasteirinhas e sapatilhas. Ou me considero culta em excesso ou uma completa analfabeta perto dos caras com os quais saio. Soo ser super fresca ao dizer as coisas que não como, ao mesmo tempo que aparento ser grosseira ao pronunciar meus gostos musicais e cinematográficos excêntricos. Sou patricinha demais para os meus amigos homens e largada demais para minhas amigas mulheres. Ou eu intimido por tomar todas as iniciativas, ou entedio por me comportar completamente passiva nas situações cotidianas. Sou experiente demais para as vagas de emprego menos remuneradas e, ao mesmo tempo, uma newbie master para os cargos que exigem experiência. Se filosofo sobre aquilo que sei pareço arrogante e se assumo desconhecer um assunto sou motivo de chacota.

Completamente deslocada e com um saldo exorbitante de fracassos pessoais, sociais, econômicos, profissionais e amorosos, só me resta dividir um pouco da culpa com Murphy, que criou as leis déspotas que regem minha vida. Pelo menos já sou experiente o bastante para saber que a única diferença entre as leis de Murphy e as leis da natureza é que na natureza as coisas dão errado sempre do mesmo jeito.