domingo, 2 de janeiro de 2011

Começando 2011 com o pé... na jaca.

Dia 31/12/2009. 14:21.
Coloquei o meu Nintendo Wii numa mochila e fui à casa do meu primo. A ideia inicial era jogar videogame depois de tomar um banho de piscina, mas o tempo escureceu e a ideia foi abortada. Éramos três. Fulano também estava presente. Jogamos tênis, beisebol, boliche e mais alguns outros jogos. Nenhum deles despertou muito interesse.

Saímos para comprar alguns medicamentos para o gato do meu primo que estava doente e almoçar. Perto da casa dele, no Humaitá, existe uma quantidade inacreditável de lojas para animais domésticos. Pelo incrível que pareça, encontrar algum restaurante aberto foi muito mais difícil do que encontrar uma pet shop aberta. Tudo já estava fechado na Cobal do Humaitá, salvo um pequeno restaurante árabe. Os dois toparam, mas eu disse que o meu último almoço do ano não seria, nem por um decreto, quibe e esfirra. Fomos salvos pelo digníssimo Koni Store. Pedi um sunomono de entrada, um koni roast tuna, um poke roll e um Iced Tea de limão. Voltamos para medicar o gato e eu estava ansioso para jogar novamente o Wii, sobretudo o boliche, meu jogo preferido. Sabia que o jogo Pro Evolution Soccer 2011 era um concorrente ferrenho, então tratei logo de ligar o boliche para não dar sorte ao azar. Fulano jogava muito mal. Ele era mais irregular do que um bêbado tentando andar em linha reta. Mas ainda assim, o jogo fez sucesso. O meu primo tinha um rendimento bom, mas eu ganhava sempre todas as partidas. Até que com o andamento dos jogos, a coisa foi mudando de figura. Fulano teve uma melhora histórica que deveria inclusive ser registrada no livro dos recordes e eu comecei a perder algumas partidas. Fulano agora tinha técnica no seu lançamento e fazia um strike atrás do outro. Ele conseguiu a marca histórica de cinco strikes seguidos, o meu recorde eram quatro seguidos. Só para efeito de nota de rodapé, no dia seguinte eu consegui um “six-pack” ou seis strikes seguidos. Mas como o foco dessa história é o dia trinta e um de dezembro de 2010, não vou me ater ao dia seguinte.

Detonamos todas as cervejas da casa. Não eram muitas, mas também não eram poucas. Depois partimos para a vodka, misturando com um honesto suco de uva que o meu primo nos ofereceu. O suco de uva acabou e a gente teve que sacrificar a água de côco que tinha sido comprada exclusivamente para o gato, a pedido da veterinária. Ficamos de repor, sem falta, no dia seguinte. Era bem difícil parar de jogar aquele jogo viciante. Mas às dez da noite, a gente conseguiu. Tínhamos uma grande festa de réveillon na praia do Leblon. Aliás, um lugar muito importante na minha história de vida, recheada de “impulsos estranhos”. O efeito da bebida teve um efeito triplicado em mim devido ao empolgante jogo de boliche. A casa do meu prêmio é no início do Humaitá e a minha casa é no Jardim Botânico, quase na divisa com o bairro dele. Logo, foi fácil chegar em casa de carro para tomar banho e me trocar. Só precisei seguir uma curta linha reta e dobrar à direita. Tudo lindo e maravilhoso. Até eu ter a brilhante ideia de ir até o Leblon. E não foi só isso. Parei o carro em frente à casa do meu primo e liguei.

- Vocês estão prontos?

- Quase.

- Estou aqui embaixo. Vocês vão comigo de carro.

- O que é isso cara?

A gente tinha combinado de se encontrar na casa de Cicrano, na rua Almirante Pereira Guimarães, que ficava bem em frente à festa.

O trajeto foi tranqüilo. Nada de Lei Seca no caminho. Pegamos a Lagoa, entramos naquela rua da Cruzada, que dá para o Shopping Leblon e viramos na General San Martin. A rua Almirante Pereira Guimarães era a próxima, à esquerda, mas não dava mão. Além de entrar na contramão, eu fiz a curva dando um cavalo de pau, como se eu tivesse dezoito anos novamente. Foi uma atitude vergonhosa e patética. Tudo bem que foi um cavalo de pau brando, mas eu poderia ter perdido o controle do carro. Quando todos no carro respiravam aliviados, sobretudo o motorista, o meu primo disse:
- Tem um carro da PM vindo aí.

- Foge, foge – esbravejou Fulano.

- Vamos todos ficar calmos – eu disse – vou encostar o carro e vai dar tudo certo. Ninguém aqui fuma maconha ou usa drogas. Eles podem revistar o carro inteiro que não vão encontrar nada.

Dois policiais armados pediram para que os três saíssem do veículo. Ele perguntou se a gente havia usado drogas. Dissemos que não. Mostrei carteira de habilitação e documento do carro. Tudo ok. Conforme eu havia previsto, eles revistaram o carro inteiro e não encontraram nada. Eu achei que eu levaria uma multa pelo cavalo de pau e a contramão, mas nada aconteceu. Pelo menos por enquanto. Já passava das onze horas. Conseguimos parar o carro na garagem do prédio de Cicrano. Hoje é dia 2 de janeiro, já passa de duas da tarde. Meu carro continua lá.

Fomos até à casa dele para tomar o último drink antes da festa. Até então eu estava ótimo. Mas em questão de minutos, comecei a me sentir muito mal. Chegamos na festa e eu tratei logo de sentar numa cadeira. Passei a virada do ano vomitando as tripas, estava me sentindo realmente muito mal. Todos os meus amigos pensavam que a festa tinha acabado pra mim. Porém, às duas e meia da manhã eu tive forças para levantar e sobreviver na festa à base de água e Coca-Cola. Fiquei perambulando pela festa até encontrar outros dois grandes amigos que eu nem sabia que estariam lá. Ao som de músicas tenebrosas como “Eu to tranquilão”, do Mc Sapão e “Do Seu Lado” do Jota Quest e outras incríveis como “Mulher de Fases”, dos Raimundos e “Pelados em Santos” do Mamonas Assassinas, agüentei bem até às cinco horas da manhã. Devido ao meu estado vomitativo, tive a decência de não ter ficar com nenhuma menina do evento. Se não bastasse a falta de consideração que eu teria com a “felizarda”, devo confessar que eu estava com muito nojo de mim mesmo para uma operação desse tipo.