quinta-feira, 3 de março de 2011

Esse tal de rock and roll

É só sexo, eu dizia. Não, é carência, ela respondia. E ficamos nessa discussão na mesa do bar. Como se ela soubesse o que se passava dentro de mim, o que rolava comigo e com ele. Carola dos carambas, eu pensava. Acabou que não era só sexo. Mas carência? Claro que não! Será?

Como saber quando é tesão, quando é carência, quando é puro tédio? De fato é difícil saber o que tem por trás dos relacionamentos humanos, com tantos sentimentos, intenções, pensamentos, encontros, desencontros, e, claro, fornicações.

Esses dias eu estava andando pela calçada quando ouvi um barulho de asas batendo, freneticamente. Olhei para cima. Dois passarinhos, um por cima do outro, batiam as asas, o passarinho (ou passarinha) de baixo voava pro outro galho, o outro ia atrás, aquela coisa toda. Inclusive, muito interessante a técnica da passarinha de se fazer fugir, mas na verdade ficar sempre ali, no galho mais próximo, bem ao alcance.

Fiquei lá olhando aquelas asas pra cá, asas pra lá, e fiquei pensando: que coisa louca é essa, né? Foi ai que eu me lembrei de um dos meus gatos, o Pretinho.

Na verdade ele não é meu gato. Eu não o comprei, não escolhi, não fui buscar de uma ninhada qualquer. O Pretinho simplesmente brotou lá em casa. Literalmente. Não existe outra explicação. Como um gato do tamanho de uma mão, que mal consegue andar, surge no meu quintal, com muros altos? Ele brotou. Sério. Como tomates. E foi ficando, cresceu medroso, arisco, e de broto virou um agregado.

Tadinho do Pretinho, tão magrinho, tão medrosinho, tão coitadinho, tudo inho. Até que um dia, minha filha, Pretinho, que não foi castrado como os outros, virou adulto. Assim, de um dia pra outro. Dormiu filhote e amanheceu macho. Agora Pretinho não apanha mais, não pede mais comida, não fica mais acanhado pelos cantos. Pretinho passa dias e dias sumido, nas ruas, nos telhados, nos terrenos baldios, namorando, vadiando. Comer pra quê? Dormir pra quê? Isso, meu amigo, isso é sexo.