sexta-feira, 15 de julho de 2011

Entre o prego e as chuteiras

Há mais de dez anos eu soube que alguém se referiu a mim como “aquela que tinha tudo para dar certo, mas bateu na trave”. Senti-me ofendida, pois além de não curtir muito futebol, eu não concordava com aquela opinião.”Bati na trave, só que a partida ainda não acabou”, respondi, enquanto fingi descaso.

Após os tantos tropeços que sucederam aquela profecia maldita, a metáfora da trave se tornou meu mantra da lamentação. Quantos gols perdidos... e nem foi por corpo mole. Bom, não sempre. Antes eu nem chutava, por medo do erro e das vaias. Hoje chuto desesperadamente. A minha mira, entretanto, não é das melhores.

Eu ainda não abandonei a camisa, mas minhas articulações já estão bem gastas e eu posso ouvir os berros histéricos do meu técnico interior me ameaçando. É hora de acertar, para variar. Espero desta vez ouvir um grito de gol ao invés do habitual “uhhhh!” lamentoso da torcida.