terça-feira, 12 de julho de 2011

Passado e presente que envergonham

Quando escrevo olho para dentro.Mas as vezes o que vem de fora agita o mar interno.Sempre repito um mantra- Não se surpreenda mais com o horror do mundo! Tento repetir isso todos os dias .Mas o mundo sempre me surpreende.Alguém  disse - Não perca nunca essa capacidade de se surpreender. Na verdade não me surpreendo tanto, apenas me horroriza o que acontece.
Palavras tem peso. Um budista disse  ` São como pregos, depois de martelados você pode tirar ,mas a marca fica ´ . Se falar tem peso, imagine escrever! Peso dobrado.
Li uma entrevista de um comediante, fazendo uma piada sobre estupro. Chamam isso de liberdade, de quebrar todos os muros da hipocrisia e coragem de não ser politicamente correto.
Desde quando a dor alheia seria hipócrita ? Desde quando fazer piada com isso seria um sinal de liberdade de expressão ?
Existem dores na alma humana que por respeito não se mencionam.As pessoas não tem tanta coisa em comum, a única coisa que nos une é que todos temos uma alma e ela tem seus lugares reservados e que exigem respeito.
Foi além de uma piada infeliz porque o Brasil é um dos países com o maior número de violência sexual contra mulheres e crianças.Qualquer coisa que possa parecer um incentivo a isso deve ser punido.
Esse comediante pertence a elite rica e branca .Parece que ainda estamos nesse Brasil dos coronéis. Como aquela história de meninos ricos entediados colocando fogo em índios e espancando mendigos.A ignorância, a prepotência da classe economicamente superior. Qual a diferença hoje ? Eles se vestem de comediantes,mas no fundo ainda carregam o mesmo pensamento, fazem piadas com o que realmente acreditam. Fazem as leis e ainda são a pior parte da história deste país, os filhos dos coronéis,que escolhiam as escravas para serem estupradas e espancadas.Essa mentalidade de  `coronéis podem tudo ´ ainda nos persegue .Atrasa o país, atrasa a todos .Quando aceitamos uma piada assim aceitamos continuar presos a ignorância, aceitamos repetir um passado que deveria nos envergonhar.