quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ah, o amor

[paris, 12 de fevereiro de qualquer ano, mas tem que ser 12 de fevereiro em paris]

mente quem diz que muito ama. eu te amo muito, eu te amo de montão, eu te amo pra caralho. mentira. se o amor é em si uma hipérbole, ora, logo é redundante dizer que ama muito. amo e pronto. amo e ponto. sendo assim, eu sigo acreditando nas mentiras que eu mesmo invento e me iludo a cada dia nessa lógica fantasiosa que é o amor.

e é por isso que a mitologia, a filosofia, a arte, a religião e tudo mais que há nesta vida, querem explicar a existência deste sentimento, quando na verdade é tudo uma desculpa pra rotular o irrotulável, o inexplicável, o misterioso. é por isso que tentam decifrar o transcendente.

não há lógica na transcendência, há?

[a merda toda é que nem aquele filme idiota me fez esquecer a tua ausência, nem por um segundo sequer. entretanto, a tua não-presença já não me denota a falta. falta sim tua mão, tua pele, teu sexo. falta o ar em movimento da tua boca no meu ouvido, mas não me falta tua presença. eu ainda te sinto. e eu sinto muito.]

você pode fugir do amor, mas ele não vai fugir de você. e não falo desse falso romantismo das novelas ou livros de banca de jornal. mesmo que você não procure, mesmo que você nem acredite, mesmo que você negue, um dia você vai se apaixonar e vai sofrer e vai sentir e dar prazer. um dia você vai amar.

e isso vai se repetir em cada amor. é uma apunhalada nas costas. um truque da vida, um golpe baixo, uma música embalada no rádio desligado. um equívoco dos mais equívocos dos equívocos que já existiram.

é como um peixe enfeitiçado pela isca.

agora basta se saber se você quer ou não lançar o anzol.
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