quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Publicar ou não publicar, eis a questão


Depois de muitos anos tentando escrever um romance, na primeira pessoa de um jornalista, me pego às voltas - mais do que nunca - no seguinte dilema: de que modo os amigos, a namorada, os colegas, os familiares e os conhecidos vão me enxergar depois de ler o livro? Quase toda a história é ficção, mas será que vão acreditar nisso?

Sempre que eu comento isso com alguém, esse alguém diz que eu tenho que publicar, que é bobagem minha e que todo mundo vai gostar. A questão não é se vão gostar ou não. Podem perfeitamente gostar, mas me considerar um completo idiota. "Esse cara é um bosta, mas o livro é legalzinho". Talvez seja bobagem mesmo, mas tem um lado meu que acha absolutamente desnecessário publicar esse romance. Será que falta coragem? Acho que é exatamente isso. Me falta coragem. Não estou nem aí se vai vender 3 exemplares ou 300 mil. O meu problema é unicamente com o verbo publicar, que vai gerar um evento no facebook chamando os amigos para o lançamento de um livro que eu gosto, mas não quero que ninguém leia.

Estou muito animado com a minha minha vida profissional, mas a minha vida literária (este blog, meu blog e o primeiro romance) passa por um período bastante turbulento de indecisões. A maior parte dos meus textos aqui e no meu blog são crônicas e eu já não sei mais se tenho fôlego/paciência/tempo/motivação/coragem para prosseguir nessa exposição contemporânea da minha vida pessoal. E se eu mudasse o meu estilo e passasse a escrever contos? Cairia no mesmo dilema ficcional/não-ficcional do romance. Ou então falasse só de futebol? E se eu fizesse críticas de filmes, discos, shows, óperas ou peças infantis? Não sei o que vai acontecer, mas pelo menos a minha crise literária me deu uma nova crônica. E nem foi das piores. Até a próxima. Quer dizer, se tiver uma próxima.

Obs.: Ao contrário do personagem principal do meu livro, que é jornalista, sou formado em administração.