quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Irmãos

Acho uma puta sacanagem gente que quer ter, tem, um filho só. É ser no mínimo muito egoísta. É ter um filho para suprir necessidades biológicas, culturais, ou sei lá o que, mas ele que se dane daqui uns 20 anos. Já pensou você e seu companheiro(a), velhinhos, com artrose, esclerose, alzheimer, e um único ser para carregar todo esse peso nas costas? E quando você morrer? Ele vai ficar sozinho nesse mundão de meu deus?

Sei da super população, do esgotamento dos recursos naturais, do preço da educação hoje em dia, de pequenos consumidores que exigem dos pais o céu de presentes, sei e penso sobre isso tudo, mas acho sacanagem ainda. Uma puta sacanagem.

Acredito que a convivência com irmãos é muito mais importante para a formação da sua identidade do que a própria convivência com os pais. Os pais trabalham (cada dia mais), os pais chegam cansados e dormem em outro quarto. É com seu irmão que você divide o medo do escuro, assiste desenhos na TV, brinca de carrinho de rolimã na garagem, passa manhã, tarde, noite, faz dever de casa, brigadeiro de panela e quase põe fogo na casa fazendo pipoca.

Meus primeiros discos e CDs, por exemplo, foi meu irmão que me mostrou. Os primeiros bailinhos que eu fui, fui vestida com roupas da minha irmã. Claro que a gente se estapiava por um danoninho, um controle remoto, mas hoje, lembrando de todas as coisas que já vivemos, posso dizer: os filhos únicos que me perdoem, mas ter irmão é fundamental.


* foto do meu irmão Rodrigo, tirada enquanto testava o flash na aula de fotografia que estamos fazendo juntos.