terça-feira, 6 de março de 2012

Vênus

venus

Olhos verde-musgo, fendas meio tristes na pele branco-bege, cabelos cor de ouro (não amarelos, não louros, mas cor de ouro de verdade), nariz baixo e boca pequena, queixo arredondado, maxilar belamente contornado, pescoço longo. Botticelli pode tê-la pintado assim, mas como seus olhos a pintam?

A figura de Vênus, a deusa romana do amor, já tomou várias formas. A Vênus de Milo é uma mulher de traços mais duros, de órbitas feitas vazias pela própria condição de escultura, corpo diferente do padrão atual; seios pequenos, cintura pouco marcada, pernas curtas. Vênus, nascida para representar o desejo sexual em primeira instância (em latim, venus era a palavra usada para o “amor carnal”), tomou várias formas conforme a sexualidade humana se tornou mais diversa.

A etimologia ainda aponta que venus divide a raiz venes- com a palavra venenum, no sentido de “feitiço, filtro mágico”. Vênus era a deusa que tornava o “vicio sexual” em “virtude sexual” no coração dos homens e das mulheres. Em um contexto atual, Vênus nos aparece para eliminar o pudor de sermos seres sexuais, em última avaliação.

A ela eram oferecidos os brinquedos das garotas romanas que haviam “amadurecido”. Com o nome dela era chamada a melhor jogada possível no jogo de azar mais popular do Império Romano. Vênus é a deusa do tempo que passa e nos obriga a crescer, seja física ou psicologicamente. Vênus é a deusa da sorte, da boa fortuna.

Em 1993, com um tom um pouco mais apimentado, a artista pop islandesa Björk quebrou paradigmas mais uma vez com “Venus As A Boy”. De sua forma peculiar, a cantora e compositora criou um hino ao mesmo princípio original da deusa que ela torna em um garoto em sua letra: o amor carnal. Mas ainda amor. E, talvez, amor ainda mais puro.

 

He believes in beauty, he’s venus as a boy ♫