sábado, 17 de março de 2012

Viva

Uma fofa, uma princesa (como alguém chegou a comentar). Mas uma princesa bem forte, daquelas que erguem o vestido, sobem no cavalo e lutam gritando. Vencer no grito, acho que isso resume bem. A primeira vez que eu a vi foi no auditório da Unicentro, achei os cabelos dela, muito compridos e muito brilhantes, bonitos. Tempos depois ela sumiu e alguém falou por cima que uma caloura estava com câncer. As lembranças se misturam um pouco na minha cabeça, sem qualquer ordem cronológica.
Lembro dela sem cabelos, lembro dela com muletas. Lembro dela com muletas numa festa, baladinha, e achei engraçado, achei ela ousada e feliz. Não lembro da primeira vez que conversamos, ela era amiga de uma conterrânea minha e deve ser daí. Lembro dela com cabelo curtinho vestida de Moranguinho em uma festa à fantasia, lembro dela me convidando pelo MSN para uma mesa-redonda com dois professores fudidos e eu querendo esganá-la. “Olha aonde você me meteu, Suellen!”, e ela ria.
Lembro dela no jornal onde eu trabalhava fazendo teste pra estagiária, dela andando pela universidade, dela apresentando um programa jornalístico de tv, das conversas que tinha com ela pela internet, no twitter, no facebook, dela rindo quando eu soltava alguma pérola com a hashtag #trocandodebiquinisemparar. Lembro dela perguntando se poderia passar no jornal um dia, porque ela estava de passagem na cidade, queria me dar um abraço, e falou para eu não me assustar porque ela estava careca. Falei que nem careca ela conseguia ficar feia, a bandida!
Quando ela criou o blog, para contar a sua vida com o câncer desde menina, atestei o que já sabia. Alguém que quer viver, apesar de, e quer viver muito, com todas as forças. Mas eu descobri muito mais, fez um punhado de intervenções, tirou um rim, algumas próteses. Mesmo assim, vivia. Mestrado, prêmios, projeto Rondon, festa com os amigos.
Talvez por toda essa força, essa força estrondosa que faria parte dela, choquei-me com a notícia quarta-feira. A Suellen foi embora, a Suellen perdeu a batalha para essa doença que me dá cada vez mais medo. Mas a Suellen venceu a batalha de espalhar para o mundo, enquanto ela pôde, que vale a pena viver, que ninguém é melhor ou pior que ninguém, que lamentos são para os fracos.
Princesas fortes como ela lutam de cabeça erguida e enquanto eu puder, vou continuar espalhando um tiquinho da experiência de vida dela. Por isso, se você quer saber mais sobre a Suellen em relatos fortes e cheios de vigor, lidos de trás para frente, cujo post mais recente é o mais cortante, conheça o blog da Suellen, conheça o texto que inspirou o nome, conheça o documentário que ela e seus amigos fizeram sobre o câncer, conheça e pare de caranguejar. Viva, viva muito, viva com força. Por mim, pela Suellen. Por você.

“A vida nem sempre é feita de escolhas, porque às vezes há só uma opção. Até pra morrer é preciso ser forte”. (Suellen Vieira)