quarta-feira, 27 de junho de 2012

Síndrome do Viajante



Sofro de uma síndrome terrível, a qual eu chamo de Síndrome do Viajante. Todas as vezes que saio da minha casa e conheço uma nova cidade - pode ser uma cidade vizinha ou a mais distante - sou tomada de um deslumbramento enorme. Imagino como seria morar ali, as coisas que poderia fazer, as comidas que poderia comer, as pessoas que poderia conhecer. Assim, viajar é ao mesmo tempo uma alegria e um tormento para mim. Alegria pela oportunidade de conhecer inúmeras vidas diferentes da que levo, mas ao mesmo tempo, é um tormento por saber que sempre haverá um lugar mais sedutor, mais bonito e mais feliz. Se estou em uma cidade litorânea, imagino o quanto seria bom também ter a vista da montanha e se estou na montanha, quero a brisa do mar. Paradoxos. Desde que passei a levar uma vida mais séria - entenda-se: emprego fixo com carteira de trabalho - esta é a primeira vez que saio de férias. Passei as últimas três semanas viajando por várias cidades de Portugal e Espanha. Minha última cidade é Barcelona, de onde escrevo agora. Eu não conhecia a Europa e, acredito que seja por isso, a Síndrome do Viajante se manifestou com mais força: quero morar em todas as cidades em que estive. Chego ao final dessa minha travessia pela Península Ibérica um tanto confusa e encantada - de um modo meio quixotesco, eu diria. 

Na mochila, trouxe comigo um livrinho do Moacyr Scliar chamado "Dicionário do Viajante Insólito", que reúne crônicas sobre viagens e viajantes. No final de cada página há uma frase célebre sobre o tema. Selecionei algumas: 

"Viajar expande a nossa capacidade de simpatia, redimindo-nos da reclusão e da modorra dos limites da nossa personalidade”. (José Enrique Rodo)

“Não há trem que eu não tomaria. Não importa o lugar para onde vai”.   (Edna StVincent Milay)

“Uma bela viagem é uma obra de arte”  (André Suares) 

“Viajar! Perder países!/ Ser outro constantemente,/ Por alma não ter raízes/ De viver de ver somente!/ Não pertencer nem a mim! Ir em frente, ir a seguir!/ A ausência de ter um fim,/ E da ânsia de o conseguir!”.  (Fernando Pessoa)  

“A viagem pode ser uma das mais compensadoras formas de introspecção”.  (Lawrence Durrell)

“O mundo é um livro. Quem não viaja, só lê uma página”.  (Santo Agostinho) 

“Não viajo para chegar a algum lugar. Viajo para viajar”.  (Robert Louis Stevenson)  “Viajar faz com que a realidade regule a imaginação”.  (Samuel Johnson)  

Navigare necesse estvivere non est necesse (Navegar é preciso, viver não é preciso)”.  (Provérbio latino) 

“Não viajamos só pelo prazer de ver, mas pelo prazer de contar”.  (Blaise Pascal)  

“Viajar é conversar com os séculos”.  (Descartes)


PS. Aqui dia 27 já foi ontem. Para os atrasados, essa é a vantagem de estar cinco horas na frente!