segunda-feira, 2 de julho de 2012

A visita (parte 2)

Saí correndo em direção à porta, mas quando abri, não havia ninguém. Fui para a rua, olhei em volta e dei uma volta pela casa. Não havia mesmo ninguém por perto. Eu só queria entender como a pessoa que tocou a campainha conseguiu ir embora tão rápido. Voltei para casa pensando nas luzes que acendiam e apagavam sozinhas, na carta de 7 paus e no frango que eu iria preparar para o almoço.

Foi então que eu vi o tal embrulho. Era isso. A pessoa misteriosa veio até aqui, deixou o embrulho, tocou a campainha e foi embora sem deixar pistas. Abri o embrulho com muito cuidado e vi um casaco azul com capus e fechecler. Nas costas do casaco havia uma imagem com a cara do Paul McCartney sorrindo. Sim, ele era o meu músico predileto. Examinei um pouco mais o casaco e notei que, pelo tamanho, era feminino. Examinei pela terceira vez o casaco e comecei a tremer de medo. Eu não tinha mais dúvidas. Aquele casaco era da minha ex-namorada, o grande amor da minha vida que eu havia deixado em São Paulo. Numa das poucas brigas que tivemos, ela foi embora correndo da minha casa e me deixou falando com as paredes. Fiquei com raiva e joguei pela janela o seu casaco. Dois dias depois da confusão, quando fizemos as pazes, ela pediu o casaco de volta, mas eu disse que havia jogado pela janela num momento de raiva. Ela apenas disse "não tem problema meu amor, o que importa é que está tudo bem agora".

Com certeza era o mesmo casaco. A única diferença era a imagem do Paul McCartney, que alguém inseriu depois. Mas quem tinha feito aquilo? Quem tinha achado o casaco? Quem tocou a campainha?

(continua no dia 3)