domingo, 1 de julho de 2012

A visita

Desde o momento em que decidi morar nesta casa, algumas coisas estranhas começaram a acontecer. Na verdade eu sabia que o fato de ter abandonado uma vida cheia de oportunidades no centro de SP para viver isolado num lugar distante e inóspito, traria mudanças em minha forma de me relacionar com o mundo. Deixei um amor, o único que achei ser verdadeiro (e ainda acho), um emprego ridículo, mas que me pagava muito bem e toda a fantasia de quem se deslumbra com uma cidade como aquela. Não, não me arrependo. Pelo contrário, acordo e durmo tranquilo, como se tivesse a certeza, pela primeira vez, de ter tomado a atitude correta.

Acontece que há exatos 7 dias, a casa não é a mesma. Primeiro apareceu uma carta de baralho rasgada embaixo de um prato de comida, na hora do almoço. 7 de paus. Depois as luzes que apagam e acendem por vontade própria. Sem contar as formas de animais que aparecem nas sombras como se fossem desenhos em nuvens. Talvez seja o fato de estar sozinho e de beber whisky enquanto deixo meu corpo ser invadido por substâncias ilícitas, as quais tanto gosto. Talvez sejam alucinações. O que importa é que não tenho medo de nada que acontece aqui, mas confesso que estou um tanto inseguro com essa situação.

Mas hoje de manhã, a campanhia tocou pela primeira vez em três longos meses. E em apenas um dia, minha vida se transformou completamente.

Pra sempre.

(continua no dia 2)