quinta-feira, 5 de julho de 2012

A visita (parte 4)

Fudeu. Só pode ser a chave do inferno. Eu desço, dou boa noite aos capetas e esquento o pau murcho do frio na lâmina de fogo. Lareira do cão. Saí do bar com a porra da chave na mão e uma leve dor de cabeça. Será que colocaram algo na minha bebida? Que caralho eu vou fazer com esta chave? Andou os três quarteirões com passos simétricos: cinco em cada bloco de calçada, sem pisar na linha. Parou na frente do edifício verde e examinou a chave mais uma vez. Media entre uma chave de porta e uma chave de diário adolescente. Colocou-a no bolso do jeans e sentiu um papel entre os dedos. Era um bilhete com uma mensagem em caixa alta: TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS. Soltou uma gargalhada no saguão do edifício e pensou: eu só posso ter pisado em macumba. Entrou no apartamento, sentou na privada e acendeu um Malboro Light. Todos os azulejos do banheiro eram sete de paus. 

(continua dia 06)