quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os 50 tons salvadores

As coisas aconteceram, foram acontecendo e assim foram ao longo desses 5 anos. Nos conhecemos no trabalho , eu ficava num local estratégico no departamento: perto do bebedouro, quase na cozinha. Devido a um acidente, o botão água gelada ficou travado, tive que intervir heroicamente para que não houvesse uma inundação e fui recompensado com uma conversa com ela de poucos segundos, que desembocaram em e-mails e telefonemas noturnos e que enfim no final daquele mês e que era também o final do ano houvesse o meu pedido de namoro, romanticamente em frente ao oceano e com todo cuidado possível para que não houve o comprometimento de nenhuma oferenda.

Desde sempre, ela tinha sobre mim o imediato convite a luxúria e que teimava em não declinar, mesmo com o desgaste do cotidiano.  O seu cheiro, gosto e a estridência de sua voz, eram perfeitos. 

Porém, a mesma volúpia não era recíproca. Pensei no início que era por conta da sinusite, depois foi a fase de adaptação da moradia solitária e por último tinha a certeza que sofrera de algum tumor cerebral dada as suas constates dores de cabeça.  Após a minhas súplicas, havia o atendimento, contudo, com a mesma burocracia do Detran de São Paulo, com mais nãos do que sims. Imaginem, nesses 5 anos nunca houve o french way e a forma como ela manipulava o meu instrumento, economizando o máximo o número de dedos da sua pequena mão, era quase um ultraje. Humilhado, busquei por algumas vezes ajuda profissional que só pioravam a minha solidão a dois.

Enfim, fustigado com essa situação e já decidido em me livrar desse vício, fui acometido de uma epifania. Isso ocorreu após o almoço de despedida do Tonhão, que estava mudando de emprego, a mulherada presente na mesa estava exaltando o Grey. Ele era o exemplo do comedor do século 21, algo como o José Maia de nossa época e que a leitura do livro aumentaria de forma substancial o repertório sexual de um casal. Eureca!

Comprei o livro na padaria  perto de casa, tive a mesma sensação de quando comprei pela primeira vez camisinha na farmácia do bairro, e na mesma noite dei o livro. Estava tão obcecado pelo salvamento do meu relacionamento que nem me dei o desfrute de embrulhá-lo para presente. Na entrega, ela comentou que estava curiosa em lê-lo e iniciou naquela mesma noite. Diariamente fazia o acompanhamento dessa leitura e a questionava sobre os avanços nessa tarefas e ela sempre fugia...Até que ontem, recebi uma mensagem de texto com a seguinte frase:

"Preciso ir atrás do meu  Christian Grey, está tudo acabado entre nós".