quarta-feira, 3 de abril de 2013

Metas, metas, metas


Não sei sou ingênua demais, talvez sim, mas eu sempre acreditei nos frentistas de posto. Sempre. Pedreiros? Não. Eletricistas? Não. Encanador, técnico de informática, homens apaixonados? Não. Agora, se um frentista falasse que tinha que trocar algo, meu deus, que bom que o senhor avisou. Mas foi ali, no meio de gasolinas aditivadas e filtros de óleo que o meu mundo caiu.

Lá estou eu, toda menina moça, sem saber se coloco álcool ou gasolina, com as quatro calotas esfoladas, quando o frentista perguntou se eu queria que conferisse água e óleo. Pensei no meu pai, que sempre pergunta se olhei a água e diz que um dia ainda vou fundir o motor e blá blá blá, mas eu tinha pressa e respondi que não. Até ai tudo normal. Foi então que ouvi um diálogo que mudou minha forma de ver esses senhores que até então me pareciam tão simpáticos e cautelosos. 

Um segundo frentista virou para o outro e falou de forma irônica: - É Zé, não adianta não que hoje você não vai bater sua meta. E o Zé: - Ah, mais uns nove e eu bato. Mês passado tirei uns duzentos reais.  Oi? Metas? No Posto? Sim, meus amigos. Metas.

Fiquei pensando no Zé, nos tantos outros, na moça do salão de cabeleireiro que queria me convencer a pintar meu cabelo, afinal tenho aí uns oito fios brancos, no moço do alarme que queria me convencer a colocar sensor de movimento na casa toda, no cara da garantia estendida da tv e até na moça do burger king com seus queijos a mais, seu refrigerante gigante, eu lá, toda boba, com dó de vender seguros para os meus clientes.