quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Jupiteriano.


Era ele. Jupiteriano.
Para aqueles que não entendem dos paranauês astrológicos uma palavra não basta. Até conhecê-lo, sequer pensava que um único ser pudesse representar tão bem os aspectos positivos e negativos da influência de um planeta.
Grande. Gordo. Risonho. Luxurioso. Feliz. Quer ser amigo de todo mundo. Me contou toda a sua vida em uma tarde. Nos vemos frequentemente.

Grande. Mais alto que eu, mais largo que eu, para além da divina proporção. É muito espaçoso, é muito desconjuntado, é muito exagerado.

Gordo. Aquele gordo por inteiro que pouco se importa com isso, com a pachorra de se achar forte e musculoso. "Não, querido", penso, "um presunto não é um bíceps. Desculpe a sinceridade. Ou não."

Risonho. Aquela risada incômoda e alta e desinteressante, quando encontra alguma piada infame que denigre a imagem de algo ou alguém. 

Luxurioso. Uma palavra mais formosa para sua vulgaridade no trato com as mulheres.

Feliz. Pelo menos é o que diz. Incessantemente.

Quer ser amigo de todo mundo. Frustra todas as minhas tentativas de sinceramente me afastar dele para todo o sempre, amém.

Me contou toda a sua vida em uma tarde. Como se me importasse.
Na verdade, pessoas interessantes não tem tempo para contar sua vida toda. Estão ocupadas vivendo.

Nos vemos frequentemente. Evidentemente, à minha revelia.


Sigo vivendo. O mundo não é feito por pessoas, mas por modelos. Até do que não quero ser nem ferrando.
Pessoas estão para além de modelos.