sábado, 28 de setembro de 2013

Um parágrafo de pena


Não importa, por mais humilhante que as pessoas sejam mais elas se mostram. É como se não houvesse problemas, desajustes. Tudo aquilo que se aponta somente está nos olhos de quem observa. E, uma vez falando, se ouvirá o São seus olhos, a vida é bela. Não existe melhora para aquele que não se viu em estado de pena. Se estou bem na forma como levo os dias não há o que melhorar. Observa-se no longe sem topar viver o perto que se vive, Só quero ajudar, benzinho, e não viver a sua vida. A distância limita e a pena alheia é recusada, assim como é devolvido um livro dado a um analfabeto. A dor que se carrega necessita de dosagens, medicamentos que aniquile sua intensidade; a pena, que somente é um sentimento, não altera em nada se não tiver ação. Aceitar a pena que o outro sente é antes de tudo se reconhecer nas circunstâncias em que se encontra. Talvez seja mais difícil encarar a pena que a demora da espera de um dia ser ajudado. A pena sem ação é como um espelho posto na frente de quem necessita. Só basta um acréscimo de superioridade espiritual, de religiosidade, uma vida financeira invejável, um pouco de conhecimento e talento que espelhos logo cobrem os olhos de quem se prontifica a enxergar o outro no limite de si mesmo. Como são poucas as experiências acumuladas por quem carece de pena, poucos são também os avanços da transcendência. Que a pena, e é bem mais provável, não se limite ao orgulho de quem somente usa a mão para fechar e apontar, porque bem sabemos que nem tudo é punheta para valer sempre na intenção. Sem ação na pena nada se escreve, mas não me esqueci dos baixo-assinados. Assine por baixo dando sua parte, pois já merece pena quem sai do processo de parto: você, eu e todos que lotam esse parágrafo.