domingo, 15 de junho de 2014

Incondicional

Se após um deslize, pequeno ou grande, um dos envolvidos decidiu se colocar em situação de superioridade e concluiu que o outro nem era tão importante assim e que é melhor acabar, não era amizade.

Se terminou porque alguém esqueceu da data de aniversário do outro, não era amizade.

Se durou décadas, mas acabou por que um respeitava, mas não corroborava com ideias e ideais, decidindo tomar outro caminho e despertando a ira e o tripudio do outro, não era amizade.

Se, sentindo-se magoado, alguém decide se afastar, sem ao menos conversar e questionar os motivos que levaram o outro ao erro, não era amizade.

Se um cargo profissional ou político era mais importante, não era amizade.

Se extinguiu-se, juntamente com o dinheiro ou status, não era amizade.

Se alguém vive cometendo os mesmos erros, sempre acreditando que será perdoado, não é amizade.

Se enfraqueceu-se com a distância ou com a mudança de cenário, também não era.

Amigo não é aquele que aguarda o momento em que o outro irá falhar para que ele possa se sentir superior. Não é aquele que depende exclusivamente da presença física ou consentimento do outro. Amigo de verdade não espera e nem exige perfeição.

Minha mãe sempre disse que, se no final de minha vida eu tivesse um amigo de verdade, eu poderia me considerar uma pessoa sortuda. Eu achava exagero, mas agora entendo bem o que ela quis dizer. Amizade não se abala com desculpas, ela procura soluções. E quase ninguém está disposto a se dar o trabalho.

Então, se acabou, era qualquer outra coisa, menos amizade.