segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ode ao texto ruim

Oh, tu, que não pedistes pra vir ao mundo
Mas que foi trazido por fórceps
E tem aspecto de natimorto.

Oh, tu, que não diz nada a ninguém
Que melhor seria se não fosse
Que já vai tarde
Antes mesmo de chegar

Oh, filho do desespero
fruto da falta...
...de assunto
...de tempo
...de propósito!

Oh, dissertação escrita
no fechar das cortinas,
no limiar das horas,
no enterro de Inês...

Oh, tu, que não tens concordância,
Que não tens forma e tampouco conteúdo,
Que se perde em argumentos falaciosos
e vãs digressões...

Não te envergonhas do desperdício de tempo que me proporcionas?
Não te envergonhas do pobre papel,
que a vida lhe entregou 
para que tuas dispensáveis palavras
fossem impressas em sua pele frágil?

Oh, texto ruim...