segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Eu também não estava ali.....

Fui à casa de uma amiga e ela não estava lá. Sentei na portaria e fiquei esperando.
O tempo passou e comecei a perceber que eu também não estava ali.
Semana passada tivemos um desentendimento, coisa boba, no Facebook, mas como somos amigas há anos ela me ligou e pediu para que eu passasse em sua casa para conversar.

Desde o começo não queria ir. Não gosto de conversas que já encerrei dentro de mim. Não foi o problema no Facebook, nos últimos tempos a amizade vinha azedando, mas não tive coragem de dizer isso a ela e aceitei passar em sua casa.
Mas sentada naquele sofá da portaria percebi que eu não estava presente, minha mente estava adorando o atraso dela, assim eu poderia ir embora sem dar explicações. Depois se ela me ligasse jogaria aquele jargão típico de São Paulo ''ah, não se preocupe, outro dia a gente marca um encontro’’.

Não seria mais fácil dizer a ela que não quero mais ser sua amiga? Não, essas coisas a gente não fala, faz. Pra que explicar, pra que escutar o outro lado se já não temos nenhuma vontade de continuar ali? Que preguiça essas conversas que não chegam a nenhum lugar! Tentei tantas vezes com diferentes pessoas e nunca deu certo. Cansei, hoje prefiro sair de fininho.....

Pensei em Freud e no inconsciente, será que minha amiga também deu um jeito inconsciente de se atrasar porque talvez não quisesse conversar?
Pode ser. Mas se não aguento ficar sentada pensando nisso vou aguentar sorrir e dizer que está tudo bem? Não.

Resolvi me levantar e ir embora.

O porteiro disse:

-Não quer deixar recado?

Não, que recado vou deixar, se nunca estive aqui......