segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

diálogo grego


Dias atrás estava lendo algo sobre o DiEM25 – Movimento para a Democracia na Europa 2025 encabeçado por Yanis Varoufakis. 


A fia mais não conheço o moço. Não sei quem é. Nunca vi mais branco! Então per favore e pelo amor de meu deus procure saber agora. Seja por aqui ou procure no Pai Google (maiores informações sobre crise grega e etc).


E achei a ideia do DiEM25 uma ação ousada para não dizer radical. Principalmente considerando o contexto político e econômico da Grécia, Europa e porque não dizer do globo terrestre.


Por quê?


Porque sim, estamos numa crise e isso pode ser importantíssimo para nós dependendo dos desdobramentos.


Embora queiram te fazer acreditar que somente e apenas o Brasil está em crise pela má gestão ou pelo mar de lama da corrupção (que existe há séculos) venho por meio desta informar (ou avisar os desavisados) que a economia mundial encontra-se em mais uma de tantas crises do capital.


Então compreende-se que não, não se trata de marolinha, ou não é mudando os rumos da economia com privatizações inescrupulosas e com prejuízos ao país ou ainda alterando a presidência seja em pessoa ou partido que irá mudar ou suavizar a crise.


Infelizmente desde os atentados terroristas na França a crise do capital na Europa está reduzida em noticiários na crise da imigração ou em ações contra o terrorismo. Como se uma (crise do capital) não fosse consequência das outras né?!


O terrorismo e imigração (e não imigrantes, tão marginalizados quanto os revoltados) transformaram-se num remédio maldito para reafirmar o comodismo, intimidação no cessar das lutas na Europa. 


E quando os revoltados tomaram às ruas não foi com gritos de contra a corrupção, ou para cantar o hino e demonstrar nacionalismo, ou pior ainda vestir a camisa para brincar de carnapolítica.


Os revoltados foram por motivos reais de sobrevivência ou para sobreviver, quando a revolta transpassou os gritos e bancos e equipamentos quaisquer que representasse o Estado eram depredados e pichados pelos manifestantes.


Não que considere revolucionário depredar ou pichar equipamentos públicos ou privados, mas observo a representação simbólica da insatisfação plena com a especulação (imobiliária, financeira etc.) e insatisfação absoluta na qualidade de vida nas cidades.


Ainda assim, sem considerar revolucionário este tipo de ação ou tática cabe pontuar que mesmo após manifestações desta natureza (com depredações e pichações) nenhum dos Estados Europeus propôs leis com margem para interpretações dúbias pelas instituições jurídicas (neste Estado Democrático que pune apenas pobres) para enquadrar e prender manifestantes como terroristas.


De qualquer forma é bom relembrar os principais motivos de repúdio dos manifestantes europeus para a época, a ausência de postos de trabalhos e o empobrecimento e endividamento da população e consequentemente do Estado.


Até então ou desde a crise de 2008 quando ainda vivenciamos os desdobramentos não existe crescimento econômico noutra parte do planeta que não seja nos EUA.


E mesmo que lá tenha crescimento econômico não significa que a população negra e latina encontra-se vivendo o Bem Estar (ou no Bem Viver numa perspectiva do livro que ainda não li), mas sobrevivendo. Ou pelo menos esta é a informação que tenho ao ler matérias, artigos, comentários e blá blá da mídia alternativa.


Mas se está desconfiado e achando que se trata de melindre da louca, recomendo que leia e acompanhe os dados de crescimento divulgado pelo FMI, segundo os próprios o crescimento em 2016 para economia mundial será medíocre o que reafirma mais uma de tantas que virão crise do capital.


Cabe mencionar que para perceber essa conjuntura é necessário buscar a informação, não espere em grandes meios de comunicação, porque neles sequer recebemos notícias rápidas de quando decretam greves ou manifestações na Europa.


Noutro dia vi na TV Minuto dentro do ônibus notícia sobre uma greve dos trabalhadores na França, mas foi tão rápida que não consegui compreender quais trabalhadores. 


Tanto que quando cheguei em casa fui logo procurar em todos noticiários sem encontrar uma nota sequer; e observo as constantes tentativas de desvencilhar atenção para a crise (que se arrasta) e seus desdobramentos, o que de fato interessa a todos.


Por isso acredito na ação Yanis em lançar o DiEM25.


Considero necessária e urgente para impulsionar manifestações populares com reivindicações que nos contemplem. E tenho andado curiosa para saber mais do lançamento do DiEM25 em 09/02/2016.


E com dúvidas sobre qual o momento da participação popular. Sabendo que o Reino Unido implantou o referendo para reafirmar ou não a permanência no bloco do euro e seja qual for  o resultado jamais receberiam do mercado financeiro, mesmo com dívidas o tratamento dado aos gregos.


As tentativas de humilhar a vontade popular quando deram a resposta severa foi para servir de exemplo a quem se atrevesse a exercer a democracia na estrutura financeira e nos limites do restrito grupelho ou establishment. 


É justamente quando percebo como esta ação é importante ou vejo como é radical se observar a nefasta insistência em humilhar os líderes (e democracia?) que desafiam as condições impostas pela aristocracia financeira.


Acredito na ação Yanis em criar o DiEM25 mesmo desconfiada que seja em princípio uma ação reformista. E mesmo se sonhar altíssimo e de forma utópica na adesão massiva do movimento em democratizar a Europa o que faria com a transparência?


Será possível alterar ou reformar uma estrutura financeira construída para beneficiar a especulação e acumulação do capital que beneficia poucos, mais precisamente 67 pessoas ou os 1% que detém a riqueza mundial?


E se a reivindicação de democratizar o mercado financeiro e/ou Europa falhar? 
Qual o plano B, criar algo como BRICS? 
A estratégia contra ações como BRICS não está no acordo TAFTA ou TTIP? 
Existe possibilidade de criar setores financeiros sem fins lucrativos?


Pode parecer impossível, mas as estruturas financeiras de hoje existem por causa dos centavos acumulados (que ninguém faz questão no aumento das passagens sabe), dinheiro de plástico (cartão) e principalmente na especulação. Então acho enviável agora, mas futuramente quem sabe.


E quando olho para América Latina, o quintal da especulação, acumulação do capital e exploração do Imperialismo e daí compreende-se que não se trata dos EUA inteiro e de todos os americanos penso se teríamos força e vontade popular e política para criar algo parecido por aqui.


Embora guarde as esperanças não as tenho por inocentes e livre da falta de representação política, pois mesmo os partidos que se dizem progressistas não tem outro horizonte senão:

 “...o discurso político é claramente de rendição ao capitalismo e ao neoliberalismo como estruturas inexoráveis.” conforme analisado de forma criteriosa e precisa a Crise brasileira e direito por Alysson Leandro Mascaro no blog da Boitempo.


Aqui somos praticamente recém-nascidos no que diz respeito à democracia, não superamos em tempo a ditadura civil militar; ainda lutamos e reivindicamos direitos básicos e de forma fragmentada; não temos representação política sequer na direita e sendo objetiva para não ser rude até mesmo ela pareci ridícula nas reivindicações e ações.


A única força está nos movimentos sociais e ainda assim resistem para garantir direitos já conquistados ou na reivindicação dos direitos básicos e ataques de egos de políticos ultraconservadores.

Então por essa e outras acredito no DiEM25.


E quem melhor do que os gregos para pleitear algo que provavelmente daqui alguns anos reivindicaremos.Mesmo que em princípio soe uma ação reformista ou seja semelhante a pedir reformas ou invés de revolução.


Talvez ou somente quando aprofundarmos a democracia é que as contradições surgirão, mas desta vez vivenciadas nas lutas e esgotamento de todas as reformas.


Assim se tornaria mais evidente a inviabilidade absoluta da transparência, da garantia de direitos e consequentemente justiça (inclusive a social), qualidade de vida e Bem Estar seja nas cidades, no campo ou em qualquer lugar deste bendito planeta.


Ou noutras palavras reivindicar mais democracia na junção capitalismo + democracia é revelar com todo respeito o presente de grego que vivemos.