domingo, 11 de setembro de 2016

Corações Cintilates

Éramos centenas quando nos libertaram. Estávamos todo livres pelas ruas. Corríamos e cintilávamos em massa, como se fosse uma novidade respirar.
Já de cara, algumas dúzia tomaram rumos solitários, acreditando ser assim a forma de encontrar a felicidade. Resolveram cintilar pr'aqui e pr'acolá sozinhos, com penas a luz que os seguiam. Até quando?
Um outro punhado deles ficaram pra trás logo na primeira traição. Traídos pela desatenção do destino, foram macerados pela brutalidade das rodas da discórdia antes mesmo que pudessem cintilar por alguma por razão.
Dos tanto outros que restaram, dançaram ao som do vento e cintilaram à luz da rua, à luz da lua. Muitos se encontraram com as folhas secas que sambavam já secas e sem vida e assim, mais um pouco deles perderam seus brilhos.
E como numa estrada livre e desimpedida, aprendemos que há perigos e desafios. Alguns aprendem da forma mais cruel, outros com a sorte e poucos com as oportunidades.
Daquelas centenas já subtraídas restaram pouco mais que duas dúzia que logo foram vistos em grude com os chorumes escorridos nas sarjetas.
Agora éramos dezenas. Dezenas estas que  juntas mal formavam uma unidade. Cansados e já sem brilho, não viam mais graça nessa tal de liberdade. Cintilavam agora não mais por alegria, mas por necessidade de iluminar seus próprios caminhos e o que era alegria por brilho, passou a ser alegria por vencer obstáculos.
De todos os corações, não sei exatamente o que houve com muitos, mas certeza tenho eu, que agora tenho caneta e papel pra descrever as desventuras de uma estrada traiçoeira e árdua, mas que para mi, até agora serviu de lição. Agora cintilo em comemoração por ter saído vitorioso e contar a vocês a minha versão do que é verdadeiramente cintilar.